Existem artistas que cantam sobre sentimentos.
E existem artistas que te colocam dentro deles.
A Beatriz Amélia é uma dessas.
Depois de um tempo em silêncio, ela volta com Pra Onde Aponta o Vento, seu terceiro álbum de estúdio — um trabalho que não tenta ser grandioso, mas acaba sendo exatamente isso. Não pelo tamanho, mas pela profundidade. Pela forma como cada faixa parece tocar em lugares que a gente nem sempre sabe nomear.
Nascida na Paraíba e escrevendo desde muito nova, Beatriz construiu ao longo dos anos uma identidade que não precisa de excessos para existir. Sua música é feita de detalhes, de palavras que chegam devagar, de emoções que não gritam — mas ficam.
Com oito faixas e pouco mais de vinte minutos, Pra Onde Aponta o Vento é um álbum que fala de amor, de despedidas, de dúvidas, de reconstrução. Mas, acima de tudo, fala de sentir sem filtro. É um trabalho sensível, honesto e profundamente humano — daqueles que não te pedem atenção, mas que, quando você percebe, já te atravessaram completamente.
E talvez seja exatamente por isso que ele funciona tão bem.
Porque não tenta explicar.
Não tenta convencer.
Só existe — e te encontra no meio do caminho.
Conversamos com Beatriz Amélia sobre o processo por trás do álbum, o tempo de pausa, a escrita como forma de se entender e o que vem depois de colocar tudo isso no mundo.
Você voltou depois de um tempo em pausa com um álbum extremamente íntimo. O que mudou dentro de você entre o silêncio e esse momento de finalmente lançar Pra Onde Aponta o Vento?
Beatriz: Depois dos lançamentos que fiz em 2023, decidi ficar um tempo sem lançar nada pra entender melhor o tipo de música que eu queria fazer e sobre o que eu queria falar. Foi uma felicidade enorme lançar Pra Onde Aponta O Vento porque sinto que esse álbum traduz exatamente o que eu vinha querendo expressar.
Suas músicas falam muito sobre amor, mas também sobre o fim dele — e sobre tudo o que fica depois. Você escreve mais para entender o que sente ou para conseguir deixar ir?
Beatriz: Acho que escrever foi a forma que encontrei de colocar meus pensamentos no lugar. Além disso, escrever é algo que gosto muito de fazer. Eu não abro mão de compor minhas próprias músicas.
Você disse que prefere não explicar suas músicas para que cada pessoa encontre seu próprio significado. Existe alguma parte de você que ainda assim deseja ser compreendida exatamente como você sentiu?
Beatriz: De fato, eu acho muito massa quando as pessoas se identificam com minhas músicas e atribuem um significado pra elas com base nas próprias vivências, mas, apesar disso, eu acho também que o álbum inteiro pode ser uma tentativa de ser compreendida, seja pelo mundo ou por mim mesma.

Faixas como “Odeio Despedida” e “Melhor Sem Mim” parecem carregar uma dor muito honesta, sem romantização. Qual foi o momento mais difícil de encarar emocionalmente durante a escrita desse álbum?
Beatriz: A escrita do álbum não foi a parte mais difícil emocionalmente falando. Na verdade, acho até que foi a parte mais fácil, porque quando me vejo diante de um papel e uma caneta (ou do bloco de notas do celular), sinto que sou livre porque posso escrever sobre tudo. A parte mais difícil sempre é compartilhar isso com o mundo. Sou meio tímida e reservada, então me sinto bastante vulnerável ao mostrar minhas músicas pra as pessoas.
Em “Não Me Falta Nada” e “Todas as Respostas”, existe uma sensação de tentativa de aceitação — quase como se você estivesse tentando se convencer de algo. Esse álbum foi mais sobre respostas ou sobre aprender a viver com perguntas?
Beatriz: O álbum não procura trazer uma resposta. Ele é mais sobre questionamentos e incertezas. Acredito que na vida nem sempre nós vamos ter as respostas de tudo e o álbum tem um pouco a ver com isso também.
O título Pra Onde Aponta o Vento sugere direção, mas também incerteza. Hoje, você sente que está seguindo o vento ou finalmente começou a escolher para onde quer ir?
Beatriz: Boa pergunta! Na minha opinião, seguir o vento não é necessariamente algo ruim. Acho que durante a vida podemos escolher nossos caminhos e mesmo assim seguir o vento vez ou outra. Afinal, a incerteza faz parte da vida e o vento pode nos levar a lugares muito bons também.
Seu som mistura pop, indie e rock, mas existe uma identidade muito clara que é só sua. Você sente que encontrou sua voz artística ou ainda está em processo de descoberta?
Beatriz: Sinto que achar uma identidade artística é algo contínuo. Todo mundo vai mudando com o tempo e comigo não é diferente, então é natural que o meu jeito de fazer música mude também. Atualmente eu tô bem feliz com o som que tô fazendo, mas quero sempre melhorar mais e mais.
Para quem vai ouvir esse álbum pela primeira vez através da Divergent Beats — talvez em um momento sensível da vida — o que você gostaria que essa pessoa sentisse ao terminar a última faixa?
Beatriz: Eu ficaria muito feliz se as pessoas que escutarem o álbum se sentissem livres pra sentir o que precisarem sentir, seja felicidade, tristeza, saudade ou qualquer outra coisa. Acho que se permitir sentir é um dos maiores atos de liberdade que existe.




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