Tem momentos em que basta colocar o play para perceber que estamos entrando em um mundo que promete ser maior do que uma única música. Existe uma energia, uma intenção, uma personalidade que começa a aparecer antes mesmo de conhecermos completamente quem está por trás daquele som. É exatamente esse lugar que “20 Anos” ocupa na chegada de WAY: não apenas o lançamento de uma faixa, mas a abertura das portas para um universo construído entre pop, memória, performance e uma vontade enorme de celebrar a liberdade de ser quem se é.
Com lançamento marcado para 27 de agosto, “20 Anos” apresenta oficialmente essa nova fase do cantor e compositor pernambucano de 27 anos, que chega ao pop recifense trazendo consigo uma história artística muito maior do que a palavra “estreia” poderia sugerir. A faixa autoral, acompanhada por videoclipe, antecipa seu primeiro álbum pela Câmbio Sonoro e parte de uma ideia que combina perfeitamente com sua energia: dançar também pode ser uma maneira de se libertar.
Existe algo muito bonito nessa proposta porque WAY não parece interessado apenas em fazer uma música para a pista. O movimento, para ele, tem outro significado. “20 Anos” nasce como um convite para abandonar, ainda que por alguns minutos, aquilo que nos prende, sair, aproveitar a vida e encontrar alguma versão de nós mesmos que talvez estivesse escondida debaixo das responsabilidades, dos medos e das expectativas. Como explica o próprio artista, sua intenção é fazer com que as pessoas sintam vontade de se libertar e possam “dançar através da vida” enquanto procuram sua melhor versão.
E para compreender de onde vem essa relação tão intensa com a performance, é preciso voltar alguns anos.
WAY cresceu respirando aquele pop brasileiro da primeira década dos anos 2000 que transformava música em um universo completo. Sandy & Junior, Wanessa Camargo, Xuxa e Angélica faziam parte das referências que chegavam dentro de casa, enquanto um primo mais velho, apaixonado por rádio, aproximava o jovem artista das grandes divas internacionais. Ao mesmo tempo, a mãe evangélica trazia a música gospel para essa formação, apresentando a ele a potência das grandes notas e das interpretações vocais capazes de transformar uma canção em acontecimento.
WAY parece nascer artisticamente justamente desse encontro entre mundos que nunca precisaram estar separados: o pop, o palco, a dramaticidade, a pista, a interpretação e aquela vontade quase infantil de transformar tudo em espetáculo.
Porque música nunca foi sua única linguagem. Aos 12 anos, ele já escrevia canções, peças e contos. Depois passou pela faculdade de Artes Cênicas e construiu uma trajetória que atravessa teatro, dramaturgia, direção e literatura. Montagens como Nidinho, o Astronauta! e Frei Caneca: Voz da Liberdade circularam por escolas públicas pernambucanas, enquanto sua atuação passou por espetáculos como Só Mais Um, Entre Nós, Vale da Estranheza e O Tesouro de Toró, este último apresentado no Janeiro de Grandes Espetáculos, um dos importantes festivais de teatro de Pernambuco.
A palavra também encontrou reconhecimento fora dos palcos. Em 2021, WAY recebeu menção honrosa no Senai Cimatec Literatec pelo conto Parece que Estamos Sem Energia e, no ano seguinte, conquistou o Prêmio Novos Escritores, que resultou na publicação de Nidinho, o Astronauta!. Quando olhamos para essa trajetória, fica mais fácil entender por que sua chegada à música parece carregar tantas camadas. Antes de ser somente cantor, WAY é alguém acostumado a construir personagens, imagens, histórias e mundos.
A música, porém, sempre esteve ali. Em 2018, depois da passagem pela faculdade de Artes Cênicas, ele mergulhou mais profundamente nesse caminho e gravou “ME”, sua primeira faixa solo, iniciando também um processo independente de produção de singles e videoclipes. O tempo entre aquele momento e “20 Anos” parece ter servido justamente para amadurecer a pergunta mais importante para qualquer artista: afinal, que história eu quero contar quando finalmente chegar a minha vez?
Agora, essa resposta começa a aparecer.
O lançamento acontece ao lado da Câmbio Sonoro, projeto pernambucano que nasceu há 12 anos justamente da necessidade de criar possibilidades para artistas autorais em uma época na qual produzir registros musicais e audiovisuais era muito mais complicado. Hoje transformada em gravadora e produtora audiovisual sediada em Candeias, na Região Metropolitana do Recife, a estrutura acompanha artistas desde a produção musical e audiovisual até etapas de distribuição e desenvolvimento de carreira.
E talvez “20 Anos” seja especialmente interessante porque chega sem tentar apagar tudo aquilo que formou WAY. Muito pelo contrário. Existe uma geração inteira de referências, experiências e sonhos encontrando espaço nesse começo. Existe a criança atravessada pelo pop dos anos 2000, o adolescente que escrevia, o ator, o dramaturgo, o diretor, o artista independente que começou a produzir seus próprios trabalhos e, finalmente, o cantor que agora quer chamar outras pessoas para perto.
No fim, talvez seja justamente essa a promessa mais bonita dessa estreia: WAY não quer simplesmente ocupar a pista sozinho.
Ele quer transformar a pista em um lugar onde todo mundo possa, por alguns minutos, sentir a liberdade de existir sem pedir licença.
E se “20 Anos” é realmente a primeira porta para o álbum que está chegando, existe um universo inteiro ainda esperando para ser descoberto.



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