Quem segue a Divergent Beats já viu, mais de uma vez, a gente falar desse grande artista do hip hop brasileiro: Yannick Hara. E não é por acaso. Porque quando a gente fala dele, não estamos falando só de música — estamos falando de visão, de construção, de alguém que decidiu transformar arte em linguagem política, estética e emocional ao mesmo tempo.

Ao longo dos últimos anos, Yannick vem construindo um dos projetos mais interessantes e necessários da cena: o Rap do Cinema Novo, uma trilogia inspirada diretamente no clássico Terra em Transe, do cineasta Glauber Rocha. Um encontro entre rap e cinema, entre palavra e imagem, entre passado e presente — onde cada faixa funciona como extensão de um pensamento maior.

Com os discos Terra em Transe Vol. 1 Brasilis e Vol. 2 Politiki, Yannick não só lançou música — ele construiu narrativa, crítica, contexto. Ele trouxe para o som discussões que muitas vezes ficam fora dele. Ele fez do rap um espaço de leitura do mundo.

E talvez seja exatamente por isso que o que aconteceu no dia 6 de abril não é só mais um show.

Brazilian Rapper Yannick Hara’s performance and lecture at University of California Irvine. (Photo by Matheus de Castro Vicentin)

Foi um marco.

Yannick Hara se apresentou na University of California, Irvine, uma das universidades mais importantes dos Estados Unidos — um espaço de pensamento, de debate, de formação. E ali, ele não levou apenas suas músicas. Ele levou um projeto inteiro.

Durante a apresentação, o artista performou faixas dos álbuns Terra em Transe Vol. 1 Brasilis e Vol. 2 Politiki, reafirmando a força desse diálogo entre o rap brasileiro e o legado do Cinema Novo. Um trabalho que nasce no Brasil, atravessa contextos sociais e políticos muito específicos — e ainda assim encontra eco em outro país, em outro idioma, em outro olhar.

Brazilian Rapper Yannick Hara’s performance and lecture at University of California Irvine. (Photo by Matheus de Castro Vicentin)

Mas ele foi além.

No mesmo palco, Yannick também celebrou os 10 anos do álbum Também Conhecido Como Afro Samurai (2016), trazendo duas canções dessa fase e conectando passado e presente dentro de uma mesma performance. Como se toda a sua trajetória estivesse ali, condensada, viva, pulsando.

E isso diz muito.

Porque o que ele faz não é sobre encaixar.
É sobre romper.

Romper fronteiras, romper linguagens, romper expectativas. Levar o rap do cinema e o rap anime brasileiros para um espaço internacional não como adaptação, mas como afirmação. Como identidade. Como potência.

E no meio disso tudo, uma coisa fica clara:
Yannick Hara não está só atravessando territórios — ele está criando novos.

Brazilian Rapper Yannick Hara’s performance and lecture at University of California Irvine. (Photo by Matheus de Castro Vicentin)

E quando isso acontece, não é só um artista que cresce.

É toda uma cena que se move junto.

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