A força musical que você escuta no momento em que coloca o play no Water Rats, e ainda mais neste novo single chamado “Robert Flag”, faz você entender imediatamente que não existe a menor possibilidade de ficar parado.
É daquelas músicas que despertam uma vontade quase instintiva de saltar, gritar, quebrar todas as regras por alguns minutos e simplesmente viver as emoções que ela carrega. Existe uma energia muito específica aqui. Uma energia que nasce do punk, do garage rock, do rock alternativo e da liberdade criativa de uma banda que claramente sabe exatamente quem é e o que quer comunicar.
Uma das coisas mais fascinantes sobre os Water Ratas é essa capacidade de soar autênticos. Em uma época em que tantas bandas parecem correr atrás de tendências, o grupo segue construindo sua própria identidade, misturando atitude, humor, intensidade e personalidade em uma fórmula que funciona de maneira quase perfeita. E “Robert Flag” é mais uma prova disso.
A faixa chega antecipando “MACRODOSE”, novo álbum da banda que será lançado em 23 de junho pelas gravadoras Forever Vacation Records e Laja Records. Se o objetivo era aumentar nossa expectativa para o disco, podemos dizer que a missão foi cumprida com sucesso. Porque “Robert Flag” não apenas funciona como um ótimo single, mas também como uma apresentação perfeita da fase atual do grupo.
Formado por Alexandre Capilé, Pedro Grips, Bi Free e Renê Bernuncia, o Water Rats continua expandindo suas possibilidades sonoras sem abandonar a essência que tornou a banda um dos nomes mais respeitados do rock independente brasileiro.

Existe algo muito especial na maneira como eles equilibram agressividade e diversão. A música é pesada quando precisa ser pesada, energética quando precisa ser energética, mas nunca perde aquele sorriso irônico escondido entre as guitarras e os refrões.
A história apresentada em “Robert Flag” é um dos pontos mais interessantes do lançamento. O personagem criado pela banda vive preso entre extremos. É alguém dividido entre Led Zeppelin e Black Flag, entre sensualidade e raiva, entre aquilo que gostaria de ser e aquilo que realmente é. Parece uma descrição simples, mas funciona como uma metáfora extremamente divertida para as contradições que todos nós carregamos. Quem nunca tentou equilibrar diferentes versões de si mesmo?
Musicalmente, a faixa se afasta um pouco do punk acelerado tradicional que muitos poderiam esperar. Em vez disso, abraça uma sonoridade mais crua, alternativa e orgânica. O resultado é uma música que parece respirar. Uma música que soa viva. E isso tem muito a ver com a decisão da banda de gravar tudo ao vivo, sem recorrer a truques excessivos de estúdio ou a processos de edição que acabem retirando a espontaneidade da performance.
Essa honestidade sonora faz toda a diferença. Você sente a banda tocando. Você sente a energia acontecendo. Você sente os instrumentos conversando entre si de forma natural. É exatamente o tipo de escolha que transforma uma boa música em algo memorável.
Uma das coisas que mais nos chamou atenção foi a voz. Existe algo nela que imediatamente remete à estética do rock alternativo dos anos 80 e 90. Não como uma cópia nostálgica, mas como uma influência absorvida e reinterpretada. Há momentos em que o vocal parece carregar aquele espírito rebelde, intenso e quase descontrolado que marcou tantas bandas daquela época. Quando os gritos entram, tudo ganha ainda mais força. Mas o mais interessante é que, mesmo carregando referências tão claras, o Water Rats nunca parece preso ao passado. Pelo contrário. Tudo aqui soa extremamente atual.
O videoclipe amplia ainda mais essa experiência. Dirigido por Rafael Rocha, fundador da Revista Noise e um dos nomes importantes do audiovisual brasileiro, o vídeo mergulha de cabeça em uma estética low budget inspirada pelos anos 80 e 90. Filmado integralmente em Betacam e produzido em chroma key, ele transforma “Robert Flag” em uma experiência visual tão divertida quanto a própria música.
O ator Tiago Marvin assume o papel principal e conduz a narrativa com uma interpretação intensa, exagerada e absolutamente perfeita para o universo criado pela banda. As cores saturadas, os cenários artificiais e o visual propositalmente cru fazem com que tudo pareça um sonho estranho transmitido por algum canal alternativo perdido no tempo. É impossível não assistir sorrindo.
Talvez seja justamente essa combinação entre irreverência, personalidade e qualidade artística que faz o Water Rats continuar relevante depois de tantos anos. Desde sua formação em Curitiba, em 2012, a banda construiu uma trajetória impressionante, passando por turnês no Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos, além de dividir sua história com nomes importantes da música alternativa mundial. Trabalhos como “Ugly By Nature”, “Year 3000”, “Tetrix” e o clássico EP “Hellway to High”, produzido por Jack Endino, ajudaram a consolidar uma reputação construída na estrada e na honestidade artística.
Agora, com “Robert Flag”, eles mostram mais uma vez que continuam inquietos, criativos e absolutamente apaixonados pelo que fazem.
E se este single é um retrato do que encontraremos em “MACRODOSE”, podemos dizer sem medo que a espera pelo álbum ficou ainda mais difícil. Porque poucas coisas são tão divertidas quanto encontrar uma banda capaz de transformar caos, identidade, humor e energia em algo tão genuinamente emocionante quanto o Water Rats faz aqui.



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