Hoje vamos falar de uma das bandas mais promissoras da música alternativa brasileira: os cariocas da quedalivre. Já falamos várias vezes sobre eles aqui na Divergent Beats, simplesmente porque fazem uma música que parece existir em um universo próprio, distante das fórmulas, distante das tendências passageiras e extremamente próxima daquilo que realmente importa: emoção, identidade e verdade.
E agora, depois do impacto impressionante de seres urbanos, a banda se prepara para um dos momentos mais importantes de sua trajetória com a turnê Saindo do Rio um Pouco, que finalmente levará sua música para diferentes cidades do Brasil.
Existe algo muito bonito acontecendo na história da quedalivre. Porque quando escutamos seres urbanos (leia aqui) não ouvimos apenas um álbum. Ouvimos uma banda descobrindo a própria voz e entendendo exatamente quem deseja ser. O disco, lançado em março pelo selo carioca AlterEgo, tornou-se rapidamente um dos trabalhos mais interessantes da cena alternativa nacional, ultrapassando a marca de 100 mil streams em apenas dois meses e provando que ainda existe espaço para projetos independentes que escolhem o caminho mais difícil: o da autenticidade.
O mais impressionante é que tudo isso foi construído de forma totalmente independente. Da pré-produção à divulgação, passando pelas gravações, pela identidade artística e pela construção da comunidade ao redor da banda, tudo nasceu de uma visão coletiva e apaixonada. Em um mercado que muitas vezes parece cada vez mais inacessível para artistas independentes, a quedalivre mostra que ainda é possível criar algo relevante através de dedicação, criatividade e conexão verdadeira com o público.
Formada por Lore (voz e guitarra), Victor Basto (voz, guitarra e produção), João Mendonça (bateria e produção) e Miguel Bosisio (baixo), a banda encontrou uma sonoridade que mistura o shoegaze dos anos 90, o metal alternativo dos anos 2000 e elementos da psicodelia brasileira. Mas qualquer descrição técnica acaba sendo insuficiente quando tentamos explicar aquilo que acontece ao escutar suas músicas. Existe um aspecto emocional que ultrapassa os gêneros. Há momentos em que o som parece flutuar como uma memória distante e outros em que explode como uma ansiedade impossível de conter.
Foi exatamente isso que sentimos ao ouvir seres urbanos. O álbum funciona como um retrato emocional da vida contemporânea, explorando as relações entre o indivíduo e o ambiente urbano através de referências à psicologia, à filosofia e aos conflitos internos que carregamos diariamente. São músicas que falam sobre escapismo, sobre pertencimento, sobre a tentativa constante de encontrar algum sentido em meio ao excesso de estímulos do mundo moderno.
Faixas como Acaso, Escapismo e Eutanásia demonstram perfeitamente essa capacidade da banda de transformar sentimentos complexos em música. Existe dor, existe inquietação, existe vulnerabilidade. Mas existe também beleza. Uma beleza que nasce justamente das contradições humanas que a banda escolhe explorar.

É aquele tipo de álbum que você escuta uma vez pela melodia, uma segunda vez pelas letras e uma terceira vez porque percebeu que ainda existem detalhes escondidos esperando para serem descobertos.
Talvez por isso o sucesso de seres urbanos pareça tão natural. Não estamos falando de um disco criado para agradar algoritmos. Estamos falando de uma obra construída para permanecer. Um trabalho que ajudou a consolidar a quedalivre como um dos nomes mais relevantes da nova geração do rock alternativo brasileiro.
E agora chega o próximo capítulo dessa história.
A turnê Saindo do Rio um Pouco representa muito mais do que uma sequência de apresentações. Ela simboliza o momento em que uma banda criada dentro da efervescente cena alternativa carioca começa a expandir suas fronteiras e levar sua música para novos públicos. É um passo importante não apenas para a quedalivre, mas para toda uma rede de artistas, produtores e coletivos independentes que vêm fortalecendo a música alternativa nacional através da colaboração.
A logística da turnê conta com o apoio das produtoras El Niño, GTRRNS, Larva e AlterEgo, fortalecendo conexões que já existiam no ambiente digital e que agora ganham vida nos palcos. Ao longo dos próximos meses, a banda dividirá espaços com alguns dos nomes mais interessantes da cena independente atual, incluindo Ouriço, Morro Fuji, Zander, Eliminadorzinho, Jovens Ateus, Jonabug, Terraplana, Tran e planoreal.
As datas já anunciadas incluem:
• 26 de junho — São Paulo
• 10 de julho — Londrina
• 11 de julho — Maringá
• 17 de julho — Curitiba
• 7 de agosto — Santo André
• 8 de agosto — São Paulo
• 14 de agosto — Florianópolis
• 15 de agosto — Balneário Camboriú
• 16 de agosto — Joinville
E o mais interessante é que esta é apenas a primeira parte da turnê. Novas datas ainda serão anunciadas ao longo do ano.
Se existe um símbolo perfeito para representar o momento vivido pela banda, talvez seja sua recente apresentação no Cine Joia, em São Paulo, abrindo para o Superchunk com apoio da Balaclava Records e da Merge Records. Um marco enorme para qualquer artista independente e um sinal claro de que a trajetória construída pela quedalivre está alcançando novos patamares.
Também não podemos falar da banda sem mencionar a importância da AlterEgo. Muito mais do que um selo, o projeto se tornou um dos polos mais interessantes da nova música alternativa carioca. Ao ajudar a criar espaços para artistas independentes crescerem juntos, a AlterEgo representa exatamente o espírito colaborativo que permitiu à quedalivre chegar até aqui.

Na Divergent Beats acreditamos que algumas bandas aparecem para lançar músicas. Outras aparecem para criar movimentos. A quedalivre parece estar fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. seres urbanos já é um dos álbuns mais marcantes da cena alternativa brasileira recente. E agora, com a turnê Saindo do Rio um Pouco, a banda leva essa experiência para a estrada, transformando canções em encontros, emoções em comunidade e música em algo que ultrapassa completamente os fones de ouvido.
Se esta é apenas a primeira etapa da jornada, mal podemos esperar para descobrir até onde ela vai chegar.



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