No momento em que colocamos play em “Cachorros e Madames no Fim do Mundo”, o novo álbum da banda Schlop, aconteceu algo quase mágico.

Foi como se, de repente, voltássemos diretamente para os anos 90.

Aquele tipo de som que tem guitarras com personalidade, melodias que parecem crescer naturalmente dentro da música e uma sensação muito clara de que existe uma artista ali dizendo exatamente aquilo que quer dizer.

E foi assim que entramos no universo de Bella Pontes. Faixa depois de faixa.

Bella Pontes, compositora e voz por trás do projeto Schlop, é um nome muito ativo dentro da cena autoral paulistana e uma das realizadoras do Mapa da Música Autoral de São Paulo. O projeto nasceu de composições gravadas inicialmente de forma lo-fi, muitas vezes registradas diretamente no celular, em um momento muito íntimo de criação.

Mas “Cachorros e Madames no Fim do Mundo” marca uma nova fase.

Aqui, aquelas canções que nasceram quase como confissões de quarto ganham uma nova vida com banda completa. Guitarras, baixo, bateria e sintetizadores ampliam o universo sonoro do projeto sem perder aquilo que sempre foi a essência de Bella: letras irônicas, sensíveis, observadoras e profundamente humanas.

O resultado é um álbum que mistura melancolia urbana, humor e uma estética muito própria, claramente influenciada por guitar bands dos anos 90, mas sem parecer preso ao passado. Pelo contrário.

É um disco que soa atual justamente porque não tenta ser perfeito demais. Ele mantém algo cru, direto, quase como uma conversa sincera com quem está ouvindo.

E isso funciona lindamente.

Existe uma delicadeza muito especial na forma como Bella constrói suas músicas. Não apenas nas melodias, mas também nas palavras. As letras muitas vezes fazem a gente sorrir de repente, como se uma observação simples sobre o mundo tivesse sido dita exatamente da maneira certa.

Entre as oito faixas do disco, uma que nos marcou muito foi “Canção do Fim do Mundo”.

É uma música que cresce aos poucos, ganhando intensidade conforme avança, como se cada verso abrisse um pouco mais a emoção que está escondida ali dentro.

E quando ela canta:

“E protegidos na nossa fantasia

Acabou com sua canção de amor.”

existe algo muito bonito acontecendo ali.

Porque a música fala de ilusões, de histórias que terminam, de sentimentos que às vezes a gente tenta proteger dentro de pequenas fantasias pessoais. É simples.

Mas ao mesmo tempo é muito forte.

Musicalmente, a faixa tem um crescimento quase hipnótico, e para nós trouxe uma lembrança muito clara da energia de bandas dos anos 90 como The Divinyls — aquela mistura de intensidade, atitude e emoção que fazia as músicas crescerem de forma quase orgânica.

E talvez seja exatamente isso que faz “Cachorros e Madames no Fim do Mundo” ser tão bonito.

Ele não é apenas um álbum. É um momento de transformação.

Um registro de como músicas que nasceram de forma íntima e lo-fi podem ganhar uma nova dimensão quando encontram outros músicos, novos arranjos e um estúdio.

Mas sem nunca perder aquilo que importa de verdade: a honestidade da composição.

Para nós da Divergent Beats, entrar no universo de Bella Pontes e da Schlop foi como descobrir um lugar onde ironia, sensibilidade e guitarras convivem perfeitamente.

E depois de ouvir esse álbum… fica muito claro que essa história ainda está só começando.

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