Para quem segue a Divergent Beats, HONORIUS CAUSA já não é um nome novo. Temos acompanhado esse percurso desde os primeiros singles que começaram a construir, faixa a faixa, o universo de SOLIDÃO, o álbum de estreia previsto para agosto de 2026.

Existe algo muito interessante nessa estratégia — não é só lançar música, é construir narrativa, é deixar cada canção ocupar o seu espaço antes de formar o todo. E agora, com “O Peso que não se vê”, esse caminho ganha uma nova camada, ainda mais profunda, ainda mais necessária.

“O Peso que não se vê” é, nas próprias palavras de Pedro Honório, uma reflexão direta sobre o que significa ser homem hoje e tudo aquilo que isso exige em silêncio. A música nasce dessa relação íntima com a figura paterna — um pai duro, de afeto não verbal, em que o amor se manifestava no trabalho, na presença, no sacrifício. E a descoberta, já em adulto, de que esse modelo foi herdado sem escolha. Não existe aqui glorificação da dureza masculina. Existe questionamento. Existe exposição. Existe coragem.

E isso é raro.

A faixa entra num território que ainda é pouco explorado, especialmente dentro do metal português: a saúde mental masculina. Esse lugar onde o homem é visto como pilar, como rocha, como provedor — mas onde quase nunca alguém pergunta se está tudo bem. E o mais forte é que a música não cai nem na vitimização nem no discurso vazio. Ela reconhece esse peso. Nomeia. Dá forma.

E a gente sente isso na construção sonora.

HONORIUS CAUSA mantém aqui a identidade que já vinha desenhando: uma base sólida de hardcore urbano português com influências de thrash e nu-metal dos anos 90 e 2000. Guitarras carregadas, baixo denso, bateria que empurra tudo para frente. Mas o mais interessante é a dinâmica. A música começa quase contida, como se estivesse segurando algo, e aos poucos cresce, expande, até explodir. E essa progressão não é só musical — é emocional.

Nós, da Divergent Beats, sentimos isso muito forte.

Existe uma evolução clara nesse projeto. Desde os primeiros singles, já era possível perceber uma intenção, uma identidade. Mas aqui tudo parece mais definido, mais direto, mais consciente. É como se cada lançamento estivesse preparando terreno para este momento, onde a mensagem não só chega — ela impacta.

E talvez o mais poderoso seja justamente esse contraste.

Estamos falando de um género que muitas vezes é associado à agressividade, à força bruta, à intensidade física. E aqui, essa mesma intensidade está sendo usada para falar de algo profundamente humano, vulnerável, quase silencioso. Esse encontro entre peso sonoro e honestidade emocional cria uma tensão que prende, que faz pensar, que não deixa passar.

Pedro Honório não está a falar de teoria.

Está a falar de vida.

Com mais de 35 anos de percurso na cena hardcore e metal, desde os 605 Forte nos anos 90 até projetos como Bruteforce, ele carrega uma história que se sente nas letras. Hoje, baseado em Dublin, continua a escrever a partir da experiência real — subúrbios, emigração, classe trabalhadora, neurodivergência, saúde mental. Nada aqui soa distante.

E isso dá ao projeto uma autenticidade difícil de ignorar.

“O Peso que não se vê” não é uma música confortável.

Mas é necessária.

Porque ela diz em voz alta aquilo que muitas gerações aprenderam a engolir em silêncio. E ao fazer isso, não resolve — mas abre espaço. E às vezes, isso já é tudo.

HONORIUS CAUSA continua a construir algo muito sólido.

E a sensação é que o que vem em SOLIDÃO pode ser ainda maior.



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