Nós da Divergent Beats tivemos a oportunidade de escutar em primeira mão o single “Tento Recriar” e também algumas faixas do álbum de estreia de Lucas Valério, O Tempo Eu Quero Amar, e sinceramente existe só uma forma de dizer isso: é uma explosão de emoções.
A gente fala sempre de emoção aqui, e não é por acaso, é porque em um mundo onde a música virou número, algoritmo e velocidade, a gente esquece do mais importante, que a música nasceu para fazer sentir. E Lucas Valério lembra isso com uma força absurda.
Lucas vem de Taubaté e inicia agora uma nova fase depois do fim da sua antiga banda, Vice Herói, onde já vinha construindo um caminho dentro da cena independente, mas é nesse projeto solo que tudo parece ganhar ainda mais identidade, ainda mais verdade, ainda mais profundidade. Existe uma decisão muito clara aqui de se aproximar de si mesmo, de explorar o que sente sem filtro, e isso aparece em cada detalhe da música que ele cria.
“Tento Recriar” não é só um single de apresentação, é um convite direto para entrar no universo emocional do artista. A faixa mistura indie, folk e MPB com uma naturalidade muito bonita, criando uma atmosfera etérea e nostálgica que te envolve desde o primeiro segundo.
O dedilhado do violão, as camadas de synth e a construção vocal criam um espaço quase suspenso, como se o tempo realmente desacelerasse para você sentir tudo aquilo que está sendo dito.
E quando chega o verso:
“tento recriar coisas que eu discordo dentro e fora de mim pra que tudo faça mais sentido”
não tem como ficar indiferente. É forte demais. É honesto demais. É aquele tipo de frase que não parece escrita para uma música, parece pensada em silêncio, em algum momento difícil, em algum momento real. E é exatamente por isso que funciona tão bem.
A voz de Lucas é outro ponto que simplesmente prende. Existe uma intensidade ali que não força emoção, ela acontece naturalmente. Se você acompanha ele fora do estúdio, seja nas redes ou em performances ao vivo, entende rapidamente que essa entrega é verdadeira, que não é construção de personagem, é identidade. E isso faz toda a diferença, porque quando a voz chega, ela não só acompanha a música, ela guia, ela puxa, ela te leva junto.
E então chega aquele momento, por volta dos dois minutos e quarenta e quatro, onde tudo cresce, tudo se expande, e você simplesmente para e pensa: o que é isso? O que está acontecendo aqui?
Porque a música deixa de ser só uma sequência de acordes e vira um impacto emocional direto. É o tipo de construção que não é feita para tocar rápido e esquecer depois, é feita para ficar, para voltar, para ser escutada de novo.
O videoclipe reforça ainda mais essa experiência. Gravado em São Luiz do Paraitinga, na roça onde vivem os avós do artista, o vídeo traz uma estética lo-fi simples, mas extremamente sensível, que conecta imagem e som de uma forma muito honesta. Não existe excesso, não existe distração, existe memória, existe origem, existe um lugar que atravessa a história do próprio Lucas e que se transforma em parte da música.
Tudo isso serve como introdução para o que vem em O Tempo Eu Quero Amar, um álbum que já mostra, mesmo nas prévias, uma proposta muito clara de explorar o tempo, o medo e o processo de amadurecimento. Não é só um disco, é um processo, é alguém tentando entender a si mesmo enquanto cria. E isso é uma das coisas mais bonitas que a música pode oferecer.
Nós da Divergent Beats ficamos completamente impactados com “Tento Recriar” e, mais do que isso, ficamos com aquela sensação rara de querer acompanhar de perto cada próximo passo. Porque quando um artista consegue transformar sentimento em som dessa forma, não é só um lançamento, é o começo de algo muito maior.
E a gente não vê a hora de falar do álbum inteiro.



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