Na Divergent Beats, a gente já falou muito sobre Felipe Sanches e também sobre Eduardo Pavloski. São artistas que já passaram pelo nosso caminho e que, de alguma maneira, fizeram parte daquilo que acompanhamos dentro dessa cena independente que cresce, muda e continua colocando projetos incríveis na nossa frente. Por isso existe uma felicidade diferente em chegar até aqui e poder falar sobre aquilo que Eduardo, Felipe, Lucas, Pedro e Wesley decidiram construir juntos.
Eles são os Pseudo Intelectuais.
E Bituca em Copos Plásticos, primeiro EP da banda, é o fim do mundo.
No melhor sentido possível.
São quatro faixas que entregam aquele rock alternativo gostoso que bate e imediatamente faz alguma coisa acontecer dentro da gente. Existe energia, existe sujeira, existe personalidade, mas principalmente existe aquela sensação deliciosa de estar diante de cinco pessoas que entenderam muito bem o universo que querem construir juntas.
A história dos Pseudo Intelectuais ainda é recente. Formada em São Paulo, a banda reúne Eduardo Pavloski nos vocais, Felipe Sanches na guitarra e vocais, Lucas Santana na bateria, Pedro Mello na guitarra e Wesley Leão no baixo. A estreia ao vivo aconteceu apenas em abril de 2026, mas bastou pouco tempo para o quinteto começar a circular por alguns espaços importantes do underground paulistano, passando por lugares como A Porta Maldita, FFFront, Fenda 315 e Casa Ó.
Só que existe uma parte dessa história que a gente considera especialmente bonita: eles não querem apenas ocupar a cena independente. Eles ajudam a movimentá-la.
Os integrantes também atuam diretamente na gestão e no desenvolvimento dos lançamentos do selo Dente de Cão, trabalhando na organização de eventos independentes, na curadoria de artistas e no desenvolvimento de novos trabalhos. Existe, portanto, algo muito maior acontecendo ao redor dos Pseudo Intelectuais. A banda nasce dentro da cena ao mesmo tempo em que coloca as próprias mãos para fazê-la continuar existindo.
E toda essa movimentação desemboca agora em Bituca em Copos Plásticos.
Nossa primeira pista já tinha vindo com “Terrível Bigode”. A faixa já carregava aquele toque bom, gostoso, aquela energia que imediatamente fazia a gente querer descobrir o que existiria depois. Era uma apresentação que despertava curiosidade, mas ouvir as quatro músicas juntas muda completamente a dimensão da experiência.
O EP funciona como uma viagem sonora. E foi uma viagem da qual amamos participar.
O indie e o garage rock aparecem como fundação, mas reduzir o trabalho a essas duas definições seria ignorar justamente aquilo que mais gostamos nele. Os Pseudo Intelectuais trabalham referências diferentes sem deixar o resultado parecer uma coleção delas. Existe uma identidade surgindo entre as guitarras, a bateria, os vocais e principalmente na forma como cada faixa parece carregar alguma coisa para contar.
Porque as letras são fundamentais nesse universo.
Vivências, histórias e personagens aparecem transformados em versos, criando uma narrativa que vai muito além de simplesmente encaixar palavras sobre uma base instrumental. Existe vida acontecendo dentro dessas músicas. Existem situações, imagens e pequenos detalhes que fazem a gente querer prestar atenção naquilo que está sendo contado enquanto o corpo simplesmente aproveita o rock.
É exatamente esse equilíbrio que torna Bituca em Copos Plásticos tão gostoso.
Você pode entrar pela energia, pelas guitarras e pela força imediata das músicas, mas existe uma segunda camada esperando quando começamos a prestar atenção nas histórias. E existe ainda uma terceira quando percebemos que a própria construção visual dos Pseudo Intelectuais acompanha esse universo e ajuda a ampliar aquilo que as músicas estão contando.
Nada parece completamente separado.
Som, personagens, narrativa, palco e imagem começam a formar uma coisa só.
Essa preocupação aparece também na maneira como a banda pensa suas apresentações ao vivo. Os shows são construídos para serem rápidos e eletrizantes, mas seguem uma linha narrativa contínua. Não se trata apenas de subir ao palco, tocar uma sequência de músicas e ir embora. Existe a intenção de conduzir quem está assistindo por uma experiência.
E talvez seja por isso que o EP funcione tão bem como conjunto.
Depois de “Terrível Bigode”, “Charme do Tensal” conquistou imediatamente o posto de nossa favorita. Existe alguma coisa ali que nos pegou de uma maneira diferente, justamente por essa combinação entre personalidade, história e sonoridade que define tão bem o projeto inteiro.
Mas escolher uma favorita não diminui absolutamente nada do restante.
As quatro faixas fazem Bituca em Copos Plásticos parecer maior do que sua duração. Quando termina, fica aquela sensação gostosa de termos conhecido não apenas algumas músicas, mas um pequeno universo que está começando a abrir suas portas.
E existe algo especial em poder acompanhar isso desde o começo.
Já conhecíamos Felipe. Já conhecíamos Eduardo. Agora conhecemos o que acontece quando eles se encontram com Lucas, Pedro e Wesley e colocam experiências, referências e vontade de movimentar a música independente dentro do mesmo projeto.
O resultado tem nome.
Pseudo Intelectuais.
E se Bituca em Copos Plásticos é apenas o começo, a gente está extremamente feliz de ter chegado cedo para assistir a tudo isso acontecer.




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