Na nossa pesquisa diária, a gente está sempre atrás daquilo que realmente importa pra Divergent Beats: artistas brasileiros independentes que têm algo a dizer. E hoje em dia, às vezes, nem precisa procurar tanto. Os algoritmos acabam trazendo essas descobertas até a gente. Mas a verdade é que, quando algo é especial de verdade, você sente no primeiro play. E foi exatamente isso que aconteceu com a Blaszè.

Uma banda que apareceu do nada — e ficou. Do primeiro play, a gente se apaixonou.

Criada em meio à corrida de São Paulo, a Blaszè nasce quase como um respiro dentro do caos. Um espaço onde o tempo desacelera, onde a música não tenta competir com o mundo, mas criar um mundo próprio. Inicialmente um projeto solo de Menino Iven, hoje expandido com Dino na guitarra e teclado e Jesscbat no baixo, o projeto se transforma em banda mantendo uma identidade muito clara: sensibilidade, atmosfera e verdade.

E isso explode em Existe SZ em SP.

São nove faixas em pouco mais de vinte e seis minutos, e pode até parecer um álbum curto, mas não é. Porque cada segundo aqui é preenchido com detalhe, com textura, com intenção. É aquele tipo de disco que você escuta uma vez e depois volta, não porque não entendeu, mas porque quer sentir de novo.

A sonoridade caminha pelo indie rock com influências de dreampop, criando algo etéreo, envolvente, quase suspenso no tempo. É leve, mas nunca vazio. É bonito, mas nunca superficial. É o tipo de música que te leva, que te faz viajar, que te coloca em outro lugar sem você perceber.

E o mais forte de tudo é que funciona do começo ao fim.

É muito raro, pra mim (Ivan) , escutar um álbum inteiro e gostar de todas as faixas. Sempre tem uma que passa, uma que não fica. Mas aqui não. Aqui tudo fica. Tudo tem algo. Tudo importa.

“Desacelerei” talvez seja o momento onde isso fica mais claro.

Quando entra:

“agora estou num lugar diferente do que imaginei, desacelerei, não me apeguei em nada, deixo pra trás tudo o que não me fazia bem”

você sente. É simples, mas é profundo. É aquele tipo de frase que parece pequena, mas carrega uma vida inteira dentro. É sobre mudança, sobre soltar, sobre entender que crescer às vezes é exatamente isso: deixar ir.

E aí vem “Carta Pra Você.txt”.

E te pega de outro jeito.

Mais íntima, mais direta, mais emocional, uma música que não precisa crescer muito pra te atingir, porque já começa dentro. E isso mostra o quanto a Blaszè consegue navegar entre diferentes estados sem perder a própria identidade.

E tem também algo muito bonito na estrutura do álbum.

A faixa “Intro” aparece como a número oito.

E isso diz muito.

Porque aqui nada é óbvio, nada é colocado no lugar esperado. É uma construção que brinca com expectativa, que cria uma narrativa própria, que te faz caminhar dentro do disco como se fosse uma jornada, não uma sequência.

E no final, o que fica é essa sensação. De que você entrou em algum lugar. De que você passou por alguma coisa. De que você saiu diferente.

A Blaszè não está só fazendo música. Está criando um espaço.

E dentro de um mundo que corre demais, que consome tudo rápido demais, encontrar um álbum que te faz parar, respirar e sentir…É raro.

E quando acontece, fica.

Instagram Blaszé



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