A gente já falou da quedalivre aqui na Divergent Beats (leia aqui). E agora eles voltam… não, não é nem “voltam”. Eles chegam com uma pedrada de álbum que deixa você literalmente parado, tentando entender o que acabou de acontecer. Seres urbanos não é só um lançamento. É um daqueles momentos em que você percebe que uma banda deu um salto — e não foi pequeno.

A quedalivre nasce no Rio de Janeiro em 2024, no meio dessa nova cena alternativa que está fervendo, criando, misturando tudo sem pedir permissão. Em apenas um ano, os caras fizeram mais de 30 shows, lançaram single, EP (sobre hábitos), passaram por mídia no Brasil e fora, dividiram palco com nomes importantes e foram construindo, pouco a pouco, uma identidade que hoje é impossível ignorar.

E talvez o mais interessante é justamente essa tensão que define o som deles: shoegaze de um lado, metal alternativo do outro. Um é fluxo, psicodelia, liberdade. O outro é peso, estrutura, impacto. E no meio disso… eles criam algo que não é nem um nem outro. É deles.

E seres urbanos é exatamente o retrato disso tudo.

Esse álbum é um recorte do primeiro ano da banda, mas não no sentido de “coletânea”. É fechamento de ciclo. É maturidade chegando. É tudo aquilo que eles viveram — nos palcos, nos ensaios, nas mudanças, nas dúvidas — transformado em som. E isso aparece na produção também. Totalmente DIY, com aquela mistura de analógico e digital, guitarras mais enterradas, bateria clara, noise criando ambiente, referências que vão de Loathe a Boogarins, de Fleshwater a terraplana. Nada aqui é por acaso. Tudo constrói esse universo meio caótico, meio etéreo, totalmente urbano.

E a gente já sabia que ia ser assim.

Porque quando escutamos pq vc n olha mais pra mim??? e acaso, já tinha alguma coisa ali mexendo com a gente. Já dava pra sentir que vinha algo grande. Mas o álbum inteiro… é outro nível.

E vamos falar a verdade: a gente não fala isso sempre.

Mas esse é um dos álbuns mais bonitos do 2026 que a gente ouviu.

Bonito não no sentido leve. Bonito no sentido de verdadeiro. De completo. De algo que te pega e não solta. Porque do começo ao fim você entra numa viagem que não é só sonora — é mental, emocional, quase física. Você vai sendo puxado de um lugar pro outro, entre psicodelia, peso, silêncio, explosão, introspecção, caos.

E não tem uma faixa que você queira pular.

Não tem um momento fraco. Não tem aquele “ok, essa aqui é menos”.

Tudo funciona junto. Tudo conversa. Tudo constrói.

E talvez seja exatamente por isso que é impossível escolher uma favorita. Porque não faz sentido separar. Esse é um álbum que precisa ser vivido inteiro.

Mas quando chega eutanásia… tem aquele momento. Aquela frase:

“você é uma vítima de si mesmo e de tudo que acredita”

E ali bate. Bate forte. Porque de repente você entende. Você não está só escutando. Você está dentro. Você é parte desses seres urbanos. Dessa confusão. Dessa pressão. Dessa busca.

E é isso que a quedalivre faz aqui. Eles não criam só música. Eles criam espelho.

Tem psicodelia, tem metal alternativo, tem noise, tem shoegaze, tem eletrônico, tem tudo… mas acima de tudo, tem identidade. E isso hoje é raríssimo.

Mais uma banda carioca mostrando que a cena do Rio não está só viva — está explodindo. E a quedalivre está bem no meio disso tudo.

E se isso é só o começo…a gente já sabe.

Instagram quedalivre



Uma resposta para “seres urbanos é caos, identidade e verdade: o impacto da quedalivre”

  1. […] algo muito bonito acontecendo na história da quedalivre. Porque quando escutamos seres urbanos (leia aqui) não ouvimos apenas um álbum. Ouvimos uma banda descobrindo a própria voz e entendendo […]

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