A gente compartilhou bastante, nos nossos Destaques da Semana, os vários lançamentos que antecederam a chegada de “OPA!”. Single após single, a Melton Sello foi mostrando pequenos pedaços de um universo que já parecia extremamente promissor. Agora que o álbum completo finalmente está entre nós, podemos dizer com toda tranquilidade: “OPA!” é uma verdadeira bomba musical, daquelas que consolidam ainda mais a identidade de uma banda que sabe exatamente quem é e o que quer dizer.

É um disco que resgata toda a energia do pop punk dos anos 2000, mas faz isso sem viver apenas da nostalgia. Pelo contrário, transforma essa herança em algo atual, divertido e completamente conectado com o presente.

A Melton Sello construiu sua trajetória apostando em singles e em um EP que já revelavam sua personalidade. Sempre falaram sobre relacionamentos, amadurecimento, juventude e os tropeços que fazem parte da vida com uma linguagem leve, bem-humorada e extremamente sincera. Em “OPA!”, sigla para “O Primeiro Álbum!”, essa identidade ganha uma dimensão ainda maior. O disco reúne tudo aquilo que a banda vinha construindo e apresenta um trabalho coeso, cheio de personalidade e capaz de agradar tanto quem cresceu ouvindo pop punk quanto quem está descobrindo esse universo agora.

Antes do lançamento, já conhecíamos músicas como “Para Com Essa Parada”, “Dei Bobeira” e “É Mole?”, faixas que escondiam easter eggs e referências espalhadas pelas composições, uma marca criativa que a Melton Sello transformou em assinatura. Mas ouvir todas as músicas reunidas muda completamente a experiência. O álbum passa a funcionar como uma narrativa única, construída com muito cuidado.

Gravado no Estúdio Mojo, com produção, mixagem e masterização de Matt Nunes, o trabalho ainda conta com a participação especial da atriz Maitê Padilha, conhecida por Gaby Estrella e pelo filme Ainda Estou Aqui, dividindo os vocais em “Microplásticos” ao lado de Caio Paranaguá, Gabriel Barros, Igor d’Alambert e Bill Dias. Cada detalhe demonstra o carinho que a banda colocou nesse primeiro álbum.

Outro aspecto que adoramos foi a estrutura narrativa do disco. A primeira metade acompanha um clima muito mais leve, divertido e cheio de energia, indo da faixa de abertura até “Mudar Pra Roça”. Depois, quase sem perceber, tudo começa a mudar. A partir de “Joia Dub”, a história ganha outros contornos, as emoções ficam mais intensas e o álbum conduz o ouvinte até “Mais Um Pouco”, preparando o terreno para “Boto Fé”, que encerra o percurso deixando uma mensagem simples, mas extremamente necessária: no final, tudo vai ficar bem.

Essa construção faz com que o álbum nunca pareça apenas uma sequência de músicas. Existe um caminho emocional acontecendo ali.

E talvez seja exatamente isso que torna “OPA!” tão viciante.

Musicalmente, o disco é magnético. Você termina uma faixa e imediatamente quer ouvir a próxima. Quando percebe, o álbum acabou e a única vontade é apertar o play novamente. As guitarras carregam toda aquela energia clássica do pop punk dos anos 2000, a bateria impulsiona cada refrão e os vocais conseguem equilibrar diversão, emoção e sinceridade de um jeito muito natural. Ao mesmo tempo, a produção mantém tudo extremamente moderno, mostrando que a Melton Sello não quer apenas homenagear uma época, mas construir sua própria identidade dentro dela.

Nós, da Divergent Beats, tivemos uma faixa que ficou completamente presa na cabeça: “Mais do Mesmo, 2000 e Tanto Faz”.

Existe um trecho que resume muito bem aquilo que sentimos durante toda a experiência de ouvir este álbum:

“Quem sou eu pra te tentar convencer?Quem quiser chegar pode aparecer.Tudo bem se não mudar de ideia.”

Esses versos carregam exatamente aquela sensação que o pop punk sempre soube transmitir tão bem: a mistura entre liberdade, vulnerabilidade e aceitação. São palavras simples, mas profundamente humanas. Parece uma conversa entre amigos, uma lembrança dos anos 2000, mas ao mesmo tempo fala diretamente com quem somos hoje.

Essa talvez seja a maior qualidade da Melton Sello.

Eles conseguem fazer nostalgia sem parecer presos ao passado.

Tudo soa extremamente vivo.

Até mesmo a capa do álbum reforça essa personalidade. Criada por Rodrigo Doin, ela transforma os integrantes em animais inspirados em suas características pessoais e ainda presta uma homenagem afetiva aos avós de Gabriel Barros através da releitura do quadro “The Melton Hunt”, uma coincidência curiosa que acabou dando ainda mais significado visual ao projeto. São detalhes como esse que mostram o quanto “OPA!” foi pensado com carinho do início ao fim.

A sintonia entre os integrantes também aparece em cada música. Segundo a própria banda, muitas ideias nascem individualmente, mas se transformam completamente quando todos se encontram no estúdio. Essa troca constante cria um álbum espontâneo, divertido e cheio de pequenos momentos que surpreendem a cada nova audição.

No fim das contas, “OPA!” é exatamente aquilo que um álbum de estreia deveria ser: honesto, energético, divertido e cheio de personalidade. Um disco que celebra o pop punk, mas que também olha para frente. Um trabalho que faz rir, cantar, lembrar da adolescência e, principalmente, acreditar que ainda existe muito espaço para bandas brasileiras reinventarem um gênero que marcou gerações.

Nós, da Divergent Beats, adoramos esse lançamento. A Melton Sello entrega um dos discos mais divertidos de 2026 e confirma que sua história está apenas começando.



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