E aqui chega mais uma banda de Santos para quebrar a nossa cabeça. E não é força de expressão. É aquele tipo de impacto que não vem só do som — vem da sensação de descobrir algo que você sabe que vai crescer, vai ficar, vai marcar.

A gente já tinha falado da Cronistas aqui no Divergent Beats, já tínhamos colocado eles nos nossos destaques semanais, radar, escolha da semana… e desde aquele primeiro momento já dava pra sentir: tem algo especial aqui.

Formada em Santos (SP), a Cronistas vem construindo uma trajetória sólida dentro da cena independente brasileira com uma proposta muito clara: transformar sentimentos reais em música que acolhe, questiona e acompanha. Transitando entre o rock alternativo e o indie pop, com toques de psicodelia, a banda carrega uma identidade marcada por letras confessionais e uma sensibilidade que fala diretamente com quem escuta.

Desde o álbum de estreia O que é ser feliz? (2023), eles vêm ganhando espaço, destaque em playlists e, principalmente, criando uma conexão verdadeira com o público. Agora, se preparam para um novo capítulo com o álbum Ainda aprendendo a lidar, previsto para 2026 — e Sem mais dor é a porta de entrada perfeita para esse novo momento.

E, sinceramente… é uma das coisas mais bonitas que a gente ouviu deles até agora.

A música começa de um jeito que já te puxa. Um baixo melódico, marcado, que cria um clima quase íntimo, quase como se você estivesse entrando devagar dentro de um pensamento. E aí entra a voz do Guilherme Ramos — e pronto. Você já está dentro. Porque a voz dele não é só bonita. É presença. É aquela voz que te envolve, que entra no ouvido e desce direto pro corpo, que te segura ali dentro do mundo da Cronistas sem você nem perceber.

E quando a música cresce…

Ela explode, mas não de forma caótica. Explode em emoção.

O refrão abre, ganha força, ganha corpo. A alternância de vozes cria um diálogo interno que parece muito com aquilo que a gente vive: uma parte de nós que ainda quer ser compreendida… e outra que já entendeu que não precisa mais disso pra existir em paz.

E é aí que Sem mais dor acerta em cheio.

Porque essa música não fala só sobre relação com o outro. Fala sobre relação com você mesmo. Sobre aquele momento em que você percebe que talvez ainda queira ser entendido — mas não depende mais disso. E isso é libertador. E isso dói também. E isso é exatamente o que a música traduz.

Tem um trecho que pega de um jeito absurdo:

“me encontro em você e só quero me atirar, e se for bom pra nós tudo bem, mas se não for também eu não vou mudar.”

Isso é forte. Muito forte. Porque fala de entrega, mas também de limite. De amor, mas também de identidade. De querer… mas não se perder.

E a Cronistas consegue colocar tudo isso em música com uma naturalidade impressionante.

A produção é limpa, mas cheia de detalhe. A entrada dos metais traz uma nova camada que a gente ainda não tinha visto na banda, ampliando ainda mais essa sensação de crescimento, de expansão sonora. Nada é exagerado. Tudo está ali porque precisa estar. Porque serve à música.

E ainda tem o visualizer, que acompanha perfeitamente essa estética — simples, bonito, sensível, como a própria faixa.

Sem mais dor não é só mais um single. É um marco dentro do caminho da Cronistas. É o fechamento de um ciclo e, ao mesmo tempo, a abertura de algo maior: o álbum Ainda aprendendo a lidar, que já promete ser uma daquelas obras que ficam.

E a gente diz isso com muita certeza: Cronistas já está mudando o jogo da música independente brasileira.

E isso é só o começo.

Instagram Cronistas



Novos flows

One response to “Sem mais dor confirma: Cronistas é uma das bandas mais importantes da nova cena”

  1. […] tudo está a voz do Guilherme, que a gente já tinha destacado anteriormente na Divergent Beats (leia aqui), mas que aqui ganha ainda mais força e definição. É uma voz intensa, com uma textura que […]

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