A gente já tinha falado do Jubba aqui na Divergent Beats, e semana passada colocamos no nosso destaque da semana a faixa “Desassossego”, essa colaboração com o Samyr que já tinha deixado a gente com aquela sensação de “tem alguma coisa muito especial acontecendo aqui”. E é sempre assim que começa: um som, depois outro, depois uma conexão. E quando os artistas escrevem pra gente e dizem “escuta isso aqui em primeira mão”, a gente para tudo. Porque é exatamente pra isso que a gente existe. E foi assim que chegou: “Até que foi bom, sabe?”.

E a verdade é simples: a gente se apaixonou.

Mas não é aquele “uau” superficial. É aquele silêncio depois do play acabar. Aquela sensação de ter vivido alguma coisa.

Porque esse álbum não é só um álbum. É uma viagem. É uma história. É um ciclo emocional inteiro acontecendo na tua frente.

Jubba, vindo de São Paulo com sua sensibilidade lo-fi que já carregava desde os tempos de Soundcloud, e Samyr, trazendo essa textura mais experimental, mais psicodélica, mais atmosférica, conseguem aqui fazer algo que é muito difícil: criar um projeto que não se escuta em faixas, mas em fluxo. Você não entra numa música. Você entra num estado.

Jubba

E ele vai te levando.

Tem lo-fi, tem psicodelia, tem experimentação, tem momentos instrumentais que te fazem fechar os olhos e simplesmente sentir, e momentos com palavras que parecem pequenos fragmentos de pensamentos que você já teve, mas nunca conseguiu organizar.

E tudo isso com uma produção que é cheia de detalhes, cheia de cuidado, mas que nunca perde a sensação de intimidade.

Porque esse álbum fala de algo muito específico. E muito universal ao mesmo tempo. Relacionamentos que doeram. Momentos que quebraram. Memórias que continuam voltando.

E aquela frase que amarra tudo: até que foi bom, sabe? Mesmo doendo. Mesmo não dando certo. Mesmo acabando.

Samyr

E aí entra uma das coisas mais lindas do projeto: essa sensação de ciclo. A ligação que começa no início e volta no final. A ideia de que a gente passa pelas coisas, se perde nelas, quase fica preso, mas em algum momento entende que precisa seguir.

E a referência ao filme 2046 não está ali por acaso. Porque o álbum inteiro parece esse lugar onde o tempo não anda, onde você revisita o passado tentando recuperar algo que já foi, até perceber que não dá pra morar ali pra sempre.

E quando a gente fala de momentos que marcam, pra gente, dois ficaram muito fortes.

“2046” é quase um respiro suspenso no tempo, um lugar onde tudo fica parado e você só observa. Mas foi em “Cicatrizes e Obsessões” que a gente realmente entrou de cabeça.

Porque a música começa de um jeito que você não espera, meio flutuante, meio incerto, e de repente a voz entra:

“cicatrizes e obsessão

meus olhos conversam com teus

cores quentes, cores frias”

E ali tudo se encaixa.

Você entende que não é só uma história qualquer. É memória. É desejo. É aquilo que ficou. É aquilo que ainda mexe.

E a partir daí você já não está mais escutando o álbum, você está dentro dele. E isso continua até o fim.

Até “Inércia”, que fecha esse ciclo de um jeito quase silencioso, quase maduro, quase como quem finalmente entende que nem toda mensagem precisa ser respondida, que nem toda história precisa continuar.

E talvez isso seja o mais bonito de tudo.

Porque “Até que foi bom, sabe?” não tenta romantizar a dor, mas também não nega o valor dela. Ele aceita. Ele reconhece. Ele transforma.

E isso é muito raro.

Pra gente da Divergent Beats, esse é daqueles projetos que não só demonstram talento, mas também visão. Mostram artistas que sabem exatamente o que estão construindo e que não têm medo de sentir, de experimentar, de ir fundo.

E depois de ouvir esse álbum inteiro, do começo ao fim, a única coisa que fica é: tem coisas que não deram certo…mas ainda assim valeram a pena.

Instagram Jubba

instagram Samyr



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