Naturalmente, a cena independente do Rio de Janeiro está deixando a gente de boca aberta. Mas não só isso — está nos lembrando constantemente de por que a gente se apaixonou por música. Ainda mais quando falamos dessa mistura tão específica, tão nossa, tão geracional: math rock, shoegaze, Midwest emo, post-punk… esse lugar onde a vulnerabilidade encontra distorção, onde o sentimento vira som.

E foi exatamente isso que aconteceu quando colocamos play em Sutil Modelo Novo.

A gente ficou de boca aberta.

Porque “ABOBRINHA” não é só um single — é uma sensação. É daquelas músicas que parecem sair direto de um quarto bagunçado, de um coração ainda mais bagunçado, e que ao mesmo tempo te levam pra um lugar muito específico. Pra gente, foi impossível não sentir aquela vibe de Camden Town, Londres, anos 2000… aquela mistura de melancolia, atitude e verdade crua.

Mas ao mesmo tempo, isso aqui é completamente Brasil. Completamente Rio. Completamente agora.

A Sutil Modelo Novo, formada em 2022, já tinha mostrado a própria identidade com o álbum “a teoria de q td vai dar certo no final” — um trabalho que misturava camadas, explorava texturas e já deixava claro que ali tinha algo diferente acontecendo. Uma banda que não tem medo de sentir, de experimentar, de ir além. E agora, com “ABOBRINHA”, eles entram numa nova fase — mais crua, mais pesada, mais direta.

E isso se sente desde o primeiro segundo.

A produção é linda, mas não no sentido polido — no sentido vivo. Tem esse som que parece quase abafado, como se estivesse sendo cantado ali, colado no microfone, no limite entre o íntimo e o grito. E a guitarra… essa guitarra que não para, que cresce, que te envolve, que te puxa pra dentro. É impossível não sentir.

Mas o que realmente destrói — no melhor sentido — são as palavras.

Quando eles dizem:

“um dia vou esquecer da alegria que era tão boba e ingênua, um dia vou esquecer das promessas eternas e das histórias de criança… não chora, é a vida, o sol ainda brilha”

, não tem como não parar. Não tem como não sentir. Porque isso aqui é sobre todo mundo. Sobre aquele amor que parecia eterno e que de repente… acaba. E você fica ali, tentando entender como algo tão grande vira memória.

E talvez seja isso que torna “ABOBRINHA” tão especial.

Porque não é só sobre dor. É sobre aceitação. Sobre olhar pra trás e entender que mesmo o que acabou… ainda foi bonito. Ainda valeu. Ainda vive dentro de você de alguma forma.

E isso, pra gente da Divergent Beats, é uma das coisas mais difíceis de transformar em música.

Mas eles conseguiram.

E não dá pra falar disso sem falar do AlterEgo — o selo que agora acompanha essa nova fase da banda. Porque o AlterEgo não é só um selo. É um movimento. Um espaço criado por artistas para artistas, uma plataforma que recusa fórmulas prontas e aposta no que é real, no que é cru, no que ainda está sendo construído. Um lugar onde a música não precisa se encaixar — só precisa existir.

E faz todo o sentido que a Sutil esteja aqui.

Porque eles também são isso: construção, comunidade, troca, verdade.

“ABOBRINHA” é só o começo de um novo capítulo — o início do EP “CORRE ERRADO” — mas já deixa uma coisa muito clara: essa banda não está só fazendo música. Está sentindo tudo. E fazendo a gente sentir também.

Instagram Sutil Modelo Novo

Instagram AlterEgo



One response to ““ABOBRINHA”: entre dor e aceitação, Sutil Modelo Novo emociona na nova fase”

  1. […] Beats, já tínhamos falado da banda anteriormente quando lançaram o single “ABOBRINHA” (leia aqui), e já naquele momento existia algo muito claro: essa banda carregava uma identidade rara. Mas […]

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