Às vezes a música chega pra gente em momentos diferentes. Não no momento em que foi lançada, não no hype, não na novidade… mas no momento em que a gente precisa escutar. E foi exatamente isso que aconteceu com Gustavo Nicolucci.
Um artista que carrega na própria história uma coisa rara: persistência. Desde os 15 anos vivendo a música, passando por bandas, mudanças, caminhos que se cruzam e se separam… mas com algo que nunca mudou — a necessidade de continuar criando. De continuar escrevendo. Porque, no fundo, antes de qualquer coisa, Nicolucci é isso: um poeta.
E isso fica claro em “Já Passou da Hora”.
A música traz essa mistura que surpreende — um encontro entre rock e rap que soa natural, orgânico, quase como se sempre tivesse sido assim. Uma sonoridade que te prende, que te envolve, mas que nunca tira o foco daquilo que realmente importa: as palavras.
Porque aqui, as palavras pesam.
Quando ele diz:
“o homem teme o tempo e o tempo teme as pirâmides, arquitetos de si mesmo construções edificantes”
você entende imediatamente que não está ouvindo só uma música. Está ouvindo o pensamento. Reflexão. Alguém que observa o mundo e tenta dar sentido a ele.
E quando vem:
“meus heróis não morreram de overdose, morreram pra elevar o homem a si mesmo e terem a fé depois da morte”
a música ganha ainda mais profundidade. Fica crua. Fica real. Fica pesada no melhor sentido possível.
“Já Passou da Hora” não é sobre pressa.

É sobre despertar.
Sobre perceber o tempo, a vida, as escolhas — e entender que talvez… já passou mesmo da hora de ser quem a gente realmente é.
E quando isso vem através de alguém que nunca abandonou a própria essência, que continuou escrevendo, criando, acreditando…
isso não é só música.
É verdade.



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