A cena sergipana continua a nos deixar de boca aberta.

E isso acontece repetidamente. A cada novo artista, a cada nova banda que aparece, percebemos que existe ali uma força criativa enorme, uma vontade de fazer música que nasce de dentro para fora.

Foi exatamente essa sensação que tivemos quando encontramos Silas Morais.

Cantor e compositor sergipano independente, Silas chega agora com o EP “Depois da Poeira”, um trabalho que marca um momento de maturidade artística e emocional dentro da sua trajetória.

Mas a nossa história com esse EP começou um pouco antes.

Nós da Divergent Beats já tínhamos compartilhado a música “Sonhar Acordado” em uma das nossas Escolhas da Semana, e desde aquele momento já sabíamos que algo especial estava acontecendo ali.

E então veio o convite para escutar “Depois da Poeira” em primeira mão.

Aceitamos, claro.

E o que aconteceu depois foi simples: o EP entrou direto no coração e nos ouvidos, como uma verdadeira explosão de emoções.

Não é apenas a voz de Silas que chama atenção — embora seja impossível ignorá-la. Existe uma doçura e uma sinceridade na interpretação que fazem cada palavra parecer ainda mais verdadeira.

Mas o que realmente torna esse trabalho especial é a combinação entre voz, letras e decisões sonoras.

As quatro faixas do EP criam um universo muito próprio, que fala de relacionamentos frágeis, ansiedade, autocobrança e melancolia urbana, mas sempre com uma sensibilidade que transforma essas experiências em algo quase poético.

O projeto foi gravado em novembro de 2025 no estúdio FABSOUNDS, em Aracaju, com produção de Fabrício Rossini, que também contribui com guitarras e baixo. Silas assume os vocais, violões e parte dos arranjos, enquanto Victor Hugo (Vivivo) assina as baterias. O trabalho visual que acompanha o projeto é de Sônia Mellone.

Tudo isso ajuda a criar um ambiente sonoro muito bonito — orgânico, sensível e profundamente emocional.

Mas existe uma faixa que nos marcou de maneira muito especial. “Mais Que Eu”.

Existe um momento específico da música — exatamente no minuto 1:33 — em que Silas repete várias vezes a frase:

“Queria ser mais…”

A repetição cresce, ganha intensidade, até chegar em um vibrato que simplesmente nos deixou de boca aberta.

É ali que você percebe algo muito claro: não estamos apenas diante de um cantor. Estamos diante de um artista com uma força emocional enorme.

Um artista que entende o peso das palavras e sabe transformá-las em música. Outro ponto que nos marcou muito é o próprio título do EP. “Depois da Poeira.”

Só o nome já carrega um universo inteiro de significados. É aquele momento que chega depois do caos, depois das dúvidas, depois das tempestades emocionais.

O momento em que a vida começa a assentar.

E talvez seja por isso que a música “Sonhar Acordado” abre o projeto com uma ideia tão bonita. Em determinado momento, Silas canta:

“viver com sonho…

sonhar acordado.”

É uma frase simples, mas poderosa.

Porque fala exatamente sobre continuar sonhando mesmo quando a realidade pesa.

E talvez seja isso que torna Silas Morais tão especial dentro dessa nova geração de artistas brasileiros. Ele canta sobre fragilidade. Sobre dúvidas. Sobre sentir demais.

E faz tudo isso com uma honestidade que raramente passa despercebida.

É muito bonito ver uma cena musical como a de Sergipe — muitas vezes associada principalmente ao forró — revelar também artistas que exploram outros caminhos, outras sonoridades e outras formas de expressão.

E Silas Morais é definitivamente um desses artistas.

Um artista que estamos acompanhando com muita atenção.

Porque se Depois da Poeira já é capaz de provocar tudo isso, fica difícil não imaginar o que ainda pode vir pela frente.

Instagram Silas Morais



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