É lindo ver um grupo de jovens conseguir criar uma tipologia musical, ainda mais em inglês, que realmente lembra qualquer millennial de um período musical extremamente importante. Um período em que bandas como Blink-182, Sum 41, New Found Glory e Good Charlotte conseguiam transformar adolescência, confusão, amizade, festas, saudade e sentimentos enormes em refrões que ficavam na cabeça durante anos. Foi exatamente isso que aconteceu quando nós da Divergent Beats escutamos LIKE THE VERY FIRST TIME!, o novo álbum da Seventeen Sunsets.

E o mais bonito é que a Seventeen Sunsets não tenta copiar aquela época. Eles conseguem pegar toda aquela energia do pop punk dos anos 2000 e transformar em algo atual, fresco, emocional e completamente conectado com aquilo que jovens vivem hoje. Existe uma honestidade muito forte aqui. Uma sensação de liberdade emocional que falta em muita música alternativa contemporânea.

Formada em Curitiba, a Seventeen Sunsets é composta por Leonardo Simões nos vocais e guitarra, André Rodrigues na bateria e Vinicius Borges no vocal e baixo. A banda surgiu misturando influências do pop punk clássico com sonoridades mais modernas, construindo um espaço entre nostalgia e renovação. Depois dos EPs Midnight Lights e Falling Down (Falling Out), além do álbum FRAMES, que explorava um lado mais pop rock alternativo, agora eles retornam às raízes mais intensas e emocionais do pop punk com LIKE THE VERY FIRST TIME!.

Mas esse álbum é ainda mais importante porque ele não é apenas um retorno depois de quase dois anos de hiato. Ele funciona como reencontro, despedida e recomeço ao mesmo tempo. É o primeiro álbum completo com a formação original reunida novamente e também o último trabalho com Dedé na bateria. E talvez seja exatamente isso que faz tudo soar tão emocional. Você sente que existe verdade em cada faixa. Existe memória. Existe amizade. Existe o peso do tempo passando.

O álbum revisita músicas dos primeiros EPs da banda, trazendo novas versões de canções que ajudaram a construir a identidade sonora deles. Só que agora tudo soa maior, mais maduro, mais intenso. Não é apenas revisitar o passado. É olhar para aquilo que eram anos atrás e entender quem eles são hoje.

E isso já explode logo na primeira faixa, “drinking game”. A música começa dizendo:

“summer’s been so boring and I don’t know why / I feel like running away tonight and leaving all behind”.

E honestamente? Que começo perfeito. Porque em poucos segundos você entende exatamente o universo emocional da banda. Existe melancolia, mas existe vontade de fugir. Existe tristeza, mas existe adrenalina. Existe aquela sensação clássica do pop-punk de querer pegar um carro de madrugada e simplesmente desaparecer ouvindo música alta.

Musicalmente, o álbum é extremamente bonito porque ele consegue equilibrar guitarras explosivas, refrões gigantescos e momentos muito emocionais sem soar exagerado. Tudo parece natural. As melodias entram na cabeça imediatamente, mas também carregam emoção suficiente para fazer você voltar nas músicas várias vezes.

“SUCKERPUNCH” chega como uma pedrada sonora absurda. A energia é intensa, viva, urgente. Dá para entender porque a música ficou tanto tempo em playlists importantes quando foi lançada originalmente. Agora, nessa nova versão, ela ganha ainda mais força. A produção está mais moderna, mais cheia, mas sem perder aquela essência crua que faz o pop punk funcionar tão bem.

E quando o álbum desacelera em momentos como “ADVENTURELAND”, a banda mostra outra faceta extremamente bonita. Existe delicadeza ali. Existe uma vulnerabilidade muito sincera. A Seventeen Sunsets entende que intensidade não significa apenas gritar. Intensidade também é deixar emoções respirarem.

O que mais gostamos em LIKE THE VERY FIRST TIME! é como ele consegue soar nostálgico sem parecer preso ao passado. Isso é muito difícil. Muitas bandas tentam reviver o pop punk dos anos 2000 apenas pela estética, mas aqui existe entendimento emocional daquilo que fazia aquele movimento funcionar. Não era só sobre guitarras rápidas ou refrões chiclete. Era sobre juventude. Sobre não saber o que fazer da própria vida. Sobre amizades que pareciam eternas. Sobre crescer rápido demais.

E a Seventeen Sunsets consegue trazer tudo isso para 2026 sem soar artificial.

Também é impossível não falar sobre a química entre os integrantes. Você sente que existe história entre eles. Existe convivência. Existe vida compartilhada. Isso transforma completamente a experiência do álbum. Leonardo Simões entrega vocais extremamente honestos, Vinicius Borges traz linhas melódicas que deixam tudo ainda mais emocional e André Rodrigues segura toda a intensidade das músicas com uma bateria viva, energética e extremamente presente.

Talvez o mais bonito de tudo seja perceber que LIKE THE VERY FIRST TIME! Realmente faz jus ao próprio nome. Porque escutar esse álbum dá aquela sensação rara de estar vivendo algo pela primeira vez de novo. Como descobrir uma banda que vai marcar um período da tua vida. Como encontrar músicas que parecem entender exatamente aquilo que você sente.

E isso é muito especial.

A Seventeen Sunsets não lançou apenas um álbum de pop punk. Eles lançaram um álbum sobre memória, juventude, amizade, despedidas e recomeços. Um álbum que faz a gente lembrar porque esse tipo de música continua sendo tão importante emocionalmente para tantas pessoas.

Porque no final das contas, algumas músicas não servem apenas para serem escutadas.

Servem para serem vividas.



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