Há algumas semanas nós da Divergent Beats já tínhamos falado de Pobre Orfeu (aqui) , e desde aquele momento ficou muito claro para nós que havia algo especial acontecendo ali.

Porque Agatha Fortes não é apenas mais uma artista independente.

Ela é daquelas artistas raras que parecem viver dentro da própria música.

Multi-instrumentista, produtora, mulher trans e uma das artistas mais prolíficas de Sorocaba, Agatha criou o projeto Pobre Orfeu em 2021 como um espaço completamente livre para suas composições. Um território onde nenhum gênero é limite e onde cada disco pode abrir uma nova porta sonora.

E talvez seja justamente isso que mais impressiona: em poucos anos, Agatha lançou mais de dez álbuns, explorando caminhos que vão do bedroom pop ao rock psicodélico, do grunge ao garage rock, passando ainda por momentos instrumentais, progressivos e alternativos.

Mas sempre com uma coisa em comum: identidade.

Agora, com “ESCOLA — Espaço de Subversão Criativa Orientando a Liberdade Adolescente”, seu 13º álbum, Pobre Orfeu reafirma algo que já começávamos a sentir: Agatha é uma artista 360 graus. Ou melhor… 365 graus.

Porque aqui tudo gira. Tudo muda. Tudo cresce.

ESCOLA é um álbum profundamente ligado à memória. Um trabalho que mergulha na infância e na adolescência de Agatha, revisitando momentos de alegria, traumas, descobertas e aquela inocência estranha e maravilhosa que existe quando ainda estamos tentando entender quem somos.

Musicalmente, o disco abraça aquele espírito rebelde que marcou o rock dos anos 90 e começo dos anos 2000 — um som cru, energético, com ecos de garage rock, psych rock e grunge.

E para nós da Divergent Beats, que crescemos respirando esse tipo de música, existe algo de muito bonito em escutar um álbum que revive esse espírito sem parecer nostalgia vazia.

Aqui não é sobre copiar o passado. É sobre reviver a energia.

Uma das faixas que mais nos fez sorrir foi “Criança Anos 2000”.

Existe algo de muito humano, muito doce e muito real na forma como Agatha recria esse imaginário da infância daquela época. Um mundo onde tudo parecia mais simples, onde as amizades eram feitas na rua ou dentro de casa, entre brincadeiras e videogames.

E quando ela canta:

“Vamos sair brincar ou se quiser jogar PlayStation 2

Pode entrar aqui pra nós jogar de dois.”

é impossível não sentir aquela nostalgia boa que atravessa gerações.

Mas o momento que mais ficou na nossa cabeça é quando ela diz:

“Nunca esqueci dos dias com você

Quero ser criança nos anos 2000.”

Essa frase carrega algo muito poderoso.

Porque não fala só de nostalgia.

Fala de memória, de crescimento, de identidade.

E mostra também uma das maiores forças de Pobre Orfeu: a capacidade de transformar experiências pessoais em algo que muitas pessoas conseguem sentir também.

ESCOLA é exatamente isso.

Um álbum que olha para trás para entender quem somos hoje.

Um álbum que revive o espírito rebelde do rock.

E que confirma algo que nós da Divergent Beats já suspeitávamos desde a primeira vez que ouvimos Agatha Fortes: Pobre Orfeu não é apenas um projeto musical. É um universo criativo inteiro.

E cada novo disco abre mais uma porta para entrar nele.

Instagram Pobre Orfeu



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