Nós da Divergent Beats já estávamos acompanhando Dona Balena há algum tempo.
O primeiro encontro forte veio com o single “Só Mais um Fim do Mundo”, uma música que já nos tinha chamado muito a atenção pela intensidade das palavras e pela atmosfera emocional que a banda consegue construir com tanta naturalidade.
Então, quando “Nós Somos Mais do Mesmo” chegou agora em março, fizemos aquilo que sempre gostamos de fazer quando sentimos que um álbum merece tempo: paramos para escutar com calma.
E fizemos isso por um motivo muito simples.
Porque depois de ouvir aquele single, já sabíamos que Dona Balena não viria com algo qualquer. Sabíamos que eles estavam prestes a entregar um álbum que tivesse algo a dizer.
E foi exatamente isso que aconteceu.
O disco já começa com “Olhos Corais”, uma faixa que em poucos segundos mostra que estamos entrando em um universo musical cheio de imagens, sentimentos e intensidade.
Há um momento da letra que simplesmente nos fez parar:
“Me ama como uma atriz,
mas feliz, contudo, por um triz,
se apressa em jogar fora o amor.”
É uma dessas frases que fazem você pensar: o que está acontecendo aqui?
Porque existe uma força muito grande nas imagens que Dona Balena cria com as palavras. Uma forma muito própria de transformar sentimentos complexos em versos diretos, quase cinematográficos.
Mas se existe uma música que realmente nos ajuda a entender quem eles são como artistas, essa música é “Estrada de Chão”.
Nossa faixa favorita do álbum. E curiosamente, também um dos singles que anteciparam o disco.
Existe um momento, lá pelo minuto 2:40, em que a música simplesmente se abre e começa uma viagem emocional que resume perfeitamente o que é Dona Balena.
E palavras como:
“Eu não te contei,
mas ontem sonhei com você.
Teus olhos eram como vitrais
das cores do mundo.
Lembra de mim?
Isso é simplesmente uma bomba de poesia.
Um daqueles momentos em que música e letra se encontram de forma tão natural que você esquece completamente do tempo enquanto escuta.
Outro ponto que nos marcou muito aparece em “Mais ou Menos Um”, quando a banda escreve:
“A gente não foi sempre assim.
Em seu rosto o tempo dispara
e o preço de viver subiu.
Mas eu me lembro,
eu era a tua cara.
Eu menino, eu fui rei.”
Esses versos carregam algo muito forte: uma sensação de memória, de passagem do tempo, de crescimento e de perdas que todo mundo, em algum momento, reconhece.
E talvez seja justamente isso que faz “Nós Somos Mais do Mesmo” funcionar tão bem.
Não existe uma única faixa aqui que você escute e simplesmente ignore.
Cada música parece trazer uma pequena história, um fragmento de vida, uma reflexão. E dá para perceber claramente o trabalho enorme que existe por trás de tudo.
Desde a construção das músicas até os detalhes visuais.
A própria capa do álbum é um exemplo disso: os dois integrantes no meio de uma multidão em movimento, enquanto nos rostos aparecem etiquetas de preço — uma com a palavra “used”, outra em amarelo, como se estivessem marcados dentro desse grande mercado humano que é o mundo.

É uma imagem forte. Quase irônica. E ao mesmo tempo extremamente simbólica.
Porque talvez seja exatamente isso que o título do álbum quer dizer.
“Nós Somos Mais do Mesmo.”
Mas quando você escuta Dona Balena com atenção, percebe uma coisa curiosa: Eles podem até dizer que somos mais do mesmo.
Mas a música deles definitivamente não é.



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