A gente já amava a Playmoboys antes mesmo de “Outro Inverno” chegar. Clássicos Instantâneos, lançado no ano passado, ficou ecoando aqui na redação por meses. “Verão e Você” entrou nas nossas Escolhas da Semana e não saiu da cabeça. Então, quando o novo single apareceu — “Outro Inverno”, com a B-side “Seu Tanto Faz” — a expectativa já era alta. Mas o que a gente não esperava era ficar de boca aberta de novo.
Playmoboys não é uma banda que começou ontem. São sete álbuns, milhões de streams, uma trajetória sólida dentro do indie rock brasileiro e uma identidade que vai da MPB ao rock britânico com naturalidade absurda. “Baby There’s No End” já rodou Brasil, Europa, Ásia, Estados Unidos — e não é à toa. Eles sempre tiveram algo que muita banda tenta, mas poucas conseguem: personalidade própria. Musical e visual. Porque Playmoboys não faz só música — faz imagem, faz universo, faz atmosfera.
E falando em atmosfera… a capa de “Outro Inverno” já nos pegou antes mesmo de dar play. Aquela estrada, aquela neve, aquele clima que parece saído de um subúrbio londrino. Para nós, da Divergent Beats — que vivemos muitos anos em Londres — aquilo foi quase um gatilho afetivo. Parece uma esquina de Camden Town num dia frio. Parece uma música que você escuta saindo de um pub pequeno às duas da manhã.
E quando a música começa, confirma: é indie britânico na medida exata, mas feito aqui. Feito com identidade brasileira, sem parecer cópia, sem soar forçado. A sonoridade é deliciosa. Guitarras abertas, clima melancólico, construção paciente. E aquele final… aquele crescimento forte, aquele momento em que tudo ganha mais corpo e intensidade — é simplesmente lindo.
Tem uma frase que ficou martelando na nossa cabeça:
“Eu nunca disse quanto dói te ver cortando o céu, entao cair sem fim”
Isso é poesia de quem já sentiu de verdade. É uma imagem forte, visual, quase cinematográfica. É esse tipo de verso que separa banda boa de banda que fica.
E então vem “Seu Tanto Faz”, a B-side que poderia facilmente ser single principal. Aqui aparece outra faceta da Playmoboys: a capacidade de transitar entre referências sem perder a alma. Tem energia, tem peso, tem aquele momento final mais intenso que explode bonito.
E quando o vocal canta:
“Fique aqui, eu vou em paz
Deixa assim o que ficou pra trás.”
É impossível não sentir o impacto. É simples. É direto. É gigante.
A voz de Conrado é um dos pontos mais fortes da banda. Não é só técnica — é entrega. É aquela voz que carrega história, que segura o instrumental e ainda deixa espaço pra emoção respirar.

O que a Playmoboys faz é difícil: soar internacional sem perder o sotaque emocional. Misturar Inglaterra e Brasil sem virar caricatura. Construir algo que parece familiar e novo ao mesmo tempo.
E saber que 2026 promete dois álbuns novos e ainda uma versão deluxe de Clássicos Instantâneos com inéditas? A gente só consegue pensar em uma coisa: ainda tem muito inverno, muito verão e muita história pra viver com essa banda.
Playmoboys não é só uma banda consistente. É uma banda que permanece. E isso, no indie rock, é coisa de gente grande



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