Não é a primeira vez que falamos desse artista enorme que é Yannick Hara.
E provavelmente também não será a última.
Já tivemos a oportunidade de entrar no universo dele, de fazer perguntas, de tentar entender — ainda que por alguns instantes — o que existe por trás desse projeto que não é só música, é pensamento, é ruptura, é manifesto.
E agora ele volta. Mais uma vez.
Mais forte.
Com o lançamento de “ACORDE-ME DO TRANSE (REMIX)”, Yannick não entrega apenas uma nova faixa — ele amplia um universo. Um universo que já vinha sendo construído dentro da trilogia Terra em Transe, inspirada no icônico Terra em Transe de Glauber Rocha, onde cinema, política e rap se encontram num ponto de tensão constante.
Mas dessa vez, ele não está sozinho.
A faixa chega como uma colisão de forças, reunindo nomes como Dead Fish, Inocentes, Medulla, DJ Jab Cut e CrackPiece.

E o que nasce disso não é colaboração — é choque.
Desde o primeiro segundo, a música é uma bomba.
Um beat que carrega a energia crua dos anos 90, mas com uma intensidade que pertence totalmente ao agora — e talvez até ao futuro. É agressiva, hipnótica, urgente. Não te pede atenção. Ela te puxa.
E no meio desse caos controlado, as palavras. Sempre as palavras.
Tem frases que não passam — ficam.
E quando ele diz:
“Foi numa aula de ética que eu vi que não há ética
a moral é imoral e narrativa estética”
não é só uma linha.
É um corte.
Porque é exatamente isso que Yannick faz: ele desmonta estruturas. Questiona sistemas. Expõe contradições. E faz tudo isso sem perder o ritmo, sem perder o corpo, sem perder o impacto.
O refrão — “acorde me do trance” — não é só repetição.
É chamado. É alerta. É quase um pedido coletivo para sair desse estado de anestesia em que a gente vive.
E talvez seja isso que torna essa faixa tão poderosa.Ela não te deixa confortável. Ela não te deixa neutro.
Ela não te deixa sair igual.
Para nós, da Divergent Beats, isso é o que define um artista real.
E Yannick Hara continua sendo exatamente isso: alguém que não cria para agradar, mas para provocar, deslocar e acordar.
“ACORDE-ME DO TRANSE (REMIX)” não é só mais um lançamento dentro de um projeto maior.
É mais uma prova de que esse projeto — esse encontro entre rap, cinema e crítica — está longe de terminar.
E a verdade?
A gente ainda quer ir mais fundo.



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