Sabe aquelas bandas que, quando você coloca o play, parece que você entrou dentro da sala onde elas estão tocando? Como se o som estivesse acontecendo ali, na sua frente, ao vivo, com a bateria vibrando no peito e a guitarra ecoando pelas paredes?

Foi exatamente essa sensação que tivemos quando ouvimos “Bronco”, o novo álbum da banda gaúcha El Negro.

E não é por acaso.

O quarto disco da carreira da banda nasce de uma decisão criativa muito específica: em vez de gravar em um estúdio tradicional, o grupo decidiu transformar o porão da antiga prefeitura de Porto Alegre em estúdio. No subsolo de um prédio histórico de arquitetura neoclássica, os instrumentos foram montados e o repertório ganhou vida ali mesmo, com o ambiente se tornando parte do próprio som.

Essa escolha não é apenas estética — ela define a identidade de Bronco.

Para a El Negro, o espaço onde a música acontece também faz parte da música. As paredes, a reverberação natural, o ar do lugar, tudo influencia a performance e cria uma textura que dificilmente poderia ser reproduzida em um ambiente totalmente controlado.

É uma ideia que lembra processos de gravação experimentais dos anos 70, mas que hoje soa quase revolucionária em um momento em que a tecnologia permite padronizar tudo com extrema facilidade.

A banda é formada por Mumu (voz, guitarra e teclados), Fabian Steinert (contrabaixo e guitarra) e Leandro Schirmer (bateria e percussão) — três músicos que claramente entendem que música também é experiência física, não apenas técnica.

E isso aparece em cada segundo de Bronco.

Desde o começo do disco existe uma sensação quase visceral. A bateria pulsa forte, as guitarras criam camadas densas e a voz parece atravessar o espaço como se estivesse sendo cantada ali, na sua frente.

É aquele tipo de som que entra direto no coração.

O álbum tem oito faixas e pouco menos de 25 minutos, mas é um daqueles discos que passam rápido justamente porque cada música tem uma identidade própria, uma textura própria, uma energia própria.

E todas funcionam.

Mas uma faixa que realmente nos marcou foi “A Delicadeza é Azul”.

Existe algo profundamente humano nessa música. Algo que mistura introspecção, memória e uma certa busca por amadurecimento.

Quando a letra diz:

“Lembrando dos erros que eu deixei pra trás

Contando nos dedos em quem confiar

Lembrando das coisas que não voltam mais

Olhando pro espelho pra melhorar

Sinto que a delicadeza é azul.”

é impossível não parar por um momento.

Porque essas palavras carregam algo que todos nós já sentimos em algum ponto da vida: aquele instante em que olhamos para trás, reconhecemos os erros, pensamos em quem realmente merece confiança e tentamos, de alguma forma, ser melhores do que fomos ontem.

Isso é arte.

É saber transformar experiências humanas universais em algo simples, bonito e profundo ao mesmo tempo.

E talvez seja exatamente isso que faz Bronco funcionar tão bem. Não é apenas um álbum bem produzido. É um disco que tem presença, textura, vida.

Um trabalho que mostra uma banda confortável em experimentar, em buscar novos caminhos e em construir uma identidade cada vez mais própria dentro do electro rock brasileiro.

Para nós da Divergent Beats, ouvir El Negro foi como entrar em um lugar cheio de som, de eco e de emoção.

E quando um álbum consegue fazer você sentir isso… significa que algo muito verdadeiro está acontecendo ali.

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