Nem toda música nasce para agradar. Algumas nascem porque precisam existir.

O Coletivo088 é exatamente isso: um disco que não tenta se encaixar em cena nenhuma, nem se explicar demais, nem ser fácil. Ele simplesmente existe — e faz isso com uma honestidade que hoje é rara. Na nossa pesquisa por música independente brasileira que carrega verdade, identidade e risco, o encontro com o Coletivo 088 foi daqueles que fazem a gente parar tudo, ouvir com atenção e pensar: tem algo importante acontecendo aqui.

Vindo do Iguatuzinho de Mel, no Ceará, o grupo se define como “um bando de desocupados que se dizem artistas”. Mas basta apertar o play para entender que isso é mais ironia do que modéstia. O que eles entregam é um trabalho consciente, bem construído e artisticamente afiado, feito por quem entende que música também é território, memória e posicionamento.

Formado por Beto (voz), Arthur Sena e João Hugo (guitarras), Paulin (baixo), Júlio Emanuel (teclado) e Samuel Kaio (bateria), o Coletivo 088 nasce da convivência, da troca e da vontade real de fortalecer a cena independente da própria cidade. Isso não aparece só no discurso — aparece no som, na forma como cada faixa respira e na maneira como o álbum se mantém coeso sem soar repetitivo.

Lançado em 4 de dezembro de 2025, coletivo088 reúne 7 faixas em 21 minutos e 32 segundos que passam rápido, mas deixam rastro. Cada música caminha por um sentimento diferente, mas todas estão conectadas por uma mesma raiz emocional. Existe identidade aqui. Existe cuidado. Existe intenção.

A relação entre melodia e palavra é um dos pontos mais fortes do álbum. Nada soa jogado. Nada parece feito às pressas. Em “Velha Ponte”, por exemplo, dá pra sentir claramente o lugar de onde eles vêm — não como cenário, mas como vivência. É música que carrega chão, poeira, história e afeto, sem romantizar nem endurecer demais.

E quando o disco chega ao fim, ele não encerra — ele atinge.

A faixa “Eu Não Consigo Escrever Sobre Você” é, sem exagero, um dos momentos mais bonitos que ouvimos recentemente. A construção musical, o peso emocional e a forma como tudo se encaixa transformam a canção em algo maior do que uma faixa final: é um ponto de entrega total. Uma música que pede silêncio depois.

O mais forte em coletivo088 é que ele não tenta ser grande.

Ele só é verdadeiro.

E isso, hoje, já é enorme.

Esse álbum mostra que o Coletivo 088 não está só começando — está se posicionando. Com personalidade, com afeto e com uma produção que respeita a própria essência. É o tipo de projeto que a gente acompanha não por hype, mas por convicção.

E se isso é apenas o começo, a caminhada promete ser longa — e necessária.

INSTAGRAM COLETIVO 088



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One response to “Coletivo 088: o álbum coletivo 088 e a força do underground independente do Ceará”

  1. […] Beats já tínhamos falado do Coletivo 088 quando lançaram o primeiro álbum no ano passado (leia aqui), e desde aquele momento ficou claro: não era só mais uma banda — era identidade, era […]

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