É incrível como a música brasileira — e principalmente o rock brasileiro — nunca para de se reinventar. A cada ano surgem novos artistas que olham para o passado, bebem das fontes dos anos 80, 90 e 2000, tanto do Brasil quanto do mundo, e transformam tudo isso em algo atual, vivo e necessário. A Cidade Doze é exatamente esse tipo de banda.
Formada em 2025, em São José dos Campos, interior de São Paulo, a Cidade Doze nasce já com identidade, propósito e uma energia que não pede licença. Michell Diego (voz), Marcel Souza (baixo), Igor Laércio (guitarra) e Felipe Mancha (bateria) constroem um som que caminha entre o rock, o pop e o alternativo, sempre guiado por melodias fortes e letras que conversam direto com quem escuta. Nada aqui é vazio. Tudo carrega intenção.
Histórias e Conflitos, álbum lançado em 2026, é a prova disso. Um disco que não tenta reinventar o rock, mas reafirma por que ele ainda é tão necessário. A primeira coisa que chama a atenção é a sonoridade: influências claras dos anos 90, guitarras bem desenhadas, baixo e bateria caminhando juntos com precisão, criando uma base sólida que sustenta tudo. E, no centro de tudo, a voz do Michell — uma voz que encaixa perfeitamente nesse tipo de música, que carrega emoção sem exagero, força sem artificialidade.

É um álbum que pede tempo. Que pede replay. Porque a cada nova escuta surge um detalhe diferente: um arranjo, uma virada, uma escolha de timbre, um verso que passa a fazer ainda mais sentido. É daqueles discos que, quando você coloca o fone, não está apenas ouvindo — você está dentro do show, dançando, pulando, sentindo o corpo reagir junto com o som.
E se a sonoridade já convence, as letras selam tudo. Elas são diretas, honestas e profundamente humanas. Falam de conflitos internos, de cansaço, de vida real. Um exemplo que nos marcou muito está na última faixa, “Pés no Chão”, que começa de forma absolutamente devastadora e linda ao mesmo tempo:
“Já me cansei dessa mania de pensar sem parar, sem encontrar
E percebi que a vida é muito mais do que sonhar.”
Isso é uma imagem emocional pura. É visual, é sensível, é algo que muita gente sente, mas nem sempre consegue colocar em palavras. E a Cidade Doze consegue. Sem rodeios. Sem pose. Com verdade.
Histórias e Conflitos é um álbum que mostra uma banda que ama fazer música, que entende o peso do rock, mas também entende o presente. Um disco que conecta gerações, que conversa com quem cresceu ouvindo rock nacional e com quem está descobrindo agora esse universo. Um trabalho sincero, forte e necessário.
A Cidade Doze chegou agora, mas chegou com algo a dizer. E a gente, aqui no Divergent Beats, gosta exatamente disso.
https://www.instagram.com/cidadedoze

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