Já no ano passado, na nossa rubrica Escolhas da Semana, a Rolimã tinha chamado — e muito — a nossa atenção com o duplo single Capim Limão e Conosquinho. Desde ali, foi amor imediato. Pela voz, pelo som, pelas letras cruas, pela sensação de estar ouvindo algo honesto, sem pose, sem filtro, sem pressa. Algo que nasce de dentro.

Hoje, com o lançamento de “Os dias nublados que me perdi pensando na vida”, a primeira coisa que fizemos pela manhã foi dar play — e logo em seguida abrir o editor para escrever este texto. Porque tem música que não espera. Ela pede resposta imediata.

Rolimã é uma banda de Águas de Lindóia, interior de São Paulo, formada por Vitor Formagio (guitarra e voz), Breno Godoi (guitarra e trompete), Lucas Golo (baixo) e Victor Marcondes (bateria). Inseridos na cena que muitos chamam de Emo Caipira, eles transitam entre referências de Midwest Emo e Rock Alternativo, mas sempre com um pé fora de qualquer rótulo confortável. As letras são diretas, às vezes confusas, às vezes dolorosamente claras — como a vida costuma ser.

Esse novo single, lançado hoje, marca um momento importante do projeto. Como a própria banda contou, a música é uma das mais antigas da Rolimã e passou por muitas transformações até chegar à versão final. E isso se sente. Há maturidade, há decisão, há coragem. A escolha de explorar sonoridades diferentes, com intenções diferentes, sem romper com o todo do projeto (e com o álbum que vem aí), é tudo menos óbvia — e exatamente por isso é tão bonita.

Aqui, a Rolimã prova algo fundamental: mudar não significa se perder. Pelo contrário. Significa entender tão bem quem você é, que você consegue se reinventar sem trair a própria essência.

Musicalmente, o single é um abraço e um soco ao mesmo tempo. As guitarras criam paisagens, a bateria entra forte, marcante, quase física, e conduz a canção com uma intensidade que cresce sem pedir licença. É daquelas músicas que você sente no corpo antes de racionalizar.

E então chega o refrão:

“queria tudo, queria o mundo,

e as nuvens passam”

É impossível não ser puxado para dentro dessa frase. Ela resume tanto. Desejo, excesso, frustração, passagem do tempo, aceitação. Com um título como os dias nublados que me perdi pensando na vida, já sabemos que não estamos falando só de clima — estamos falando de estados mentais, de fases, de existir.

Esse é um daqueles sons que não tentam ser grandes à força, mas acabam sendo exatamente por isso. Um single que amplia o universo da Rolimã, aprofunda a narrativa do projeto e mostra uma banda segura o suficiente para experimentar, errar, ajustar e entregar algo verdadeiro.

Se o álbum que vem por aí seguir esse caminho, a gente já avisa: prepare o coração, os fones e o tempo. Porque a Rolimã não está só lançando músicas — está construindo um mundo.

E a gente quer continuar se perdendo nele.

https://www.instagram.com/rolima___



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