Nós, do Divergent Beats, seguimos descobrindo artistas brasileiros que estão criando arte musical em altíssimo nível, com coragem, visão e personalidade. E, honestamente, sentimos cada vez mais que o resto do mundo deveria parar, observar e aprender. TONETO é um desses nomes que não aparecem por acaso — ele surge como uma afirmação.

A nossa primeira reação ao encontrar Metamorfo foi visual. A capa do álbum já diz tudo antes mesmo do play: TONETO no centro, cercado por figuras vestidas de preto, numa imagem que parece violenta, caótica, quase como se ele estivesse sendo atacado — mas o rosto diz outra coisa. Um olhar firme, desinteressado, quase debochado. Um claro “who fucking cares?”.

Ali já sabíamos: este não seria um álbum comum.

TONETO não é um novato. Ele já havia mostrado sua sensibilidade em O Escapista (2024), um disco ultrarromântico e melancólico que misturava folk, bossa nova e MPB com uma delicadeza quase dolorida. Mas Metamorfo, lançado em 24 de outubro de 2025, é outra coisa. É o fim de um ciclo e o começo de outro. É ruptura, é risco, é liberdade total.

Explicar Metamorfo em poucas palavras é impossível — porque ele não quer ser explicado, ele quer ser vivido. São 19 faixas, 53 minutos de música, e a sensação constante de que você nunca sabe o que vem a seguir. E isso é exatamente o que torna o álbum tão extraordinário.

Em um momento você está dentro de um indie rock torto, no outro mergulha em um funk brasileiro, depois é jogado numa faixa quase trap, experimental, sensorial, caótica. É um viagem sonora imprevisível, e TONETO não tenta amarrar nada — ele deixa fluir.

O que mais impressiona é a capacidade do artista de usar múltiplos gêneros sem perder identidade. Pelo contrário: quanto mais ele se espalha, mais claro fica quem ele é.

As letras são profundas, inteligentes, às vezes irônicas, às vezes doloridas, muitas vezes surpreendentemente divertidas. Existe uma liberdade criativa rara aqui — aquela liberdade de quem decide parar de agradar e começa, finalmente, a dizer: vou fazer o que eu quero.

Metamorfo é isso. É um disco feito por alguém que entendeu que mudar não é fraqueza, é potência. Que abraça o erro, o estranho, o dissonante. Que transforma vivências pessoais em som, sem medo do desconforto. É íntimo, é caótico, é sublime — muitas vezes tudo ao mesmo tempo.

Para nós, do Divergent Beats, esse é o tipo de álbum que marca uma era pessoal. Um trabalho que você não escuta só uma vez. Você volta. Você se perde. Você descobre algo novo a cada audição.

TONETO é, sem dúvida, um artista para manter no radar, no repeat e na conversa. Metamorfo não pede atenção — ele exige.

https://www.instagram.com/_toneto



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