Quem acompanha o Divergent Beats já percebeu: a gente tem um radar muito sensível para bandas que não seguem fórmula nenhuma, que fazem música por urgência, por amor, por necessidade. Bandas que não querem agradar, querem sentir.
E DESCULPA é exatamente esse tipo de projeto.
Formada em 2023, em Florianópolis (SC), mais especificamente no Rio Vermelho, a banda é um duo composto por Cupin (baixo) e Marochi (bateria). Dois corpos, dois instrumentos, uma avalanche sonora. Tudo é feito por eles — da composição às gravações — num espírito totalmente DIY, cru e honesto. Eles definem o próprio som como “música barulhenta depressiva romântica pós-alguma coisa”, e isso diz mais do que qualquer rótulo fechado.
DESCULPA trabalha com distorção melancólica, letras cheias de ódio-amor, e uma intensidade emocional que não pede permissão para existir. É música que sangra, mas também acolhe.
Lançado no dia 5 de dezembro, Chino Moreno Mixtape não é apenas um EP — é um estado emocional comprimido em seis faixas. São 12 minutos e 34 segundos que passam como um soco no estômago e um abraço ao mesmo tempo.
Desde o título, o EP já deixa claro seu universo de referências: o rock alternativo, o ruído dos anos 90 e 2000, a herança emocional de bandas que transformaram dor em textura sonora. Mas DESCULPA não copia nada — eles absorvem e devolvem tudo do jeito deles.
O EP soa como estar dentro de um show, colado na caixa de som, sentindo o baixo tremer no peito e a bateria te empurrar para dentro do caos. Não há pausas confortáveis. Há entrega.
A faixa de abertura, “O Que Billy Corgan Faria Numa Situação Dessa”, já estabelece o tom do projeto de forma absolutamente devastadora. Logo nos primeiros versos, a banda escancara uma lírica que nos deixou em silêncio aqui no Divergent Beats:
“Vai ver cansei de salvar o que ninguém sente falta
mas sei que honrei com minhas palavras de ontem.”
Isso não é só letra. Isso é arte em estado bruto. É confissão, é cansaço, é dignidade emocional. É o tipo de verso que fica ecoando depois que o som acaba.

Aqui no Divergent Beats, a gente acredita muito na música independente porque ela ainda carrega algo raro: verdade.
E o Chino Moreno Mixtape é verdade do começo ao fim.
Esse EP nos colocou dentro de uma experiência sensorial completa. É barulho, sim — mas um barulho cheio de sentimento. Um barulho que te derruba, te atravessa, te desmonta… e depois te deixa ali, respirando diferente.
DESCULPA não tenta soar bonita. Não tenta ser palatável. Eles constroem um espaço onde emoção e ruído coexistem sem pedir desculpa (com o perdão do trocadilho). Cada faixa parece existir para expurgar algo, e isso cria uma conexão imediata com quem escuta.
Cupin e Marochi mostram que duas pessoas podem criar um universo inteiro quando existe intenção, pesquisa e entrega emocional. A produção é simples, mas extremamente eficiente. Nada sobra. Nada falta. Tudo pulsa.
Esse é o tipo de EP que você escuta de uma vez… e depois precisa ouvir de novo. E de novo. Porque sempre tem uma palavra, um ataque de bateria, um ruído escondido que te pega diferente a cada escuta.
DESCULPA é exatamente o tipo de banda que nos faz acreditar que a cena independente brasileira continua viva, barulhenta e necessária.
E Chino Moreno Mixtape é um daqueles registros que não querem agradar — querem existir. E isso, pra gente, é tudo.
https://www.instagram.com/desculpabanda



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