No Divergent Beats, não acreditamos em listas de “melhores álbuns do ano”.
E não é por rebeldia gratuita — é por convicção. Acreditamos que a música é arte. E a arte não compete.
A música pode mudar a vida de alguém, pode salvar dias, atravessar lutos, iluminar caminhos — e isso nunca será universal ou mensurável. O que nos toca profundamente pode não tocar o outro, e o contrário também é verdade. E tudo bem.
Por isso, em vez de rankings, decidimos olhar para trás e reconhecer os álbuns e EPs que realmente construíram o que é o Divergent Beats hoje.
A ideia do Divergent Beats nasceu há cerca de um ano.
A revista começou a ganhar forma pouco depois.
Mas o Divergent Beats como ele é hoje — esteticamente, editorialmente, emocionalmente — nasceu mesmo em junho deste ano. Antes disso, havia outro plano, outra rota, outra identidade. E somos profundamente gratos por termos tido coragem de mudar.
Essa virada nos levou para um caminho muito claro: a música brasileira independente, underground, fora do mainstream.
Com espaço, claro, para alguns momentos internacionais — mas sempre com o coração voltado para quem cria à margem, com urgência, verdade e risco.
Os álbuns e EPs que reunimos aqui não são “os melhores” de 2025.
São os discos que nos tocaram, nos inspiraram, nos acompanharam e, de alguma forma, mudaram a nossa própria história enquanto revista.
Para cada álbum e EP, escolhemos uma pequena frase — quase um fragmento emocional — que representa o que aquela obra significou para nós. Também criamos uma playlist com as faixas que mais nos atravessaram em 2025.
Poderíamos facilmente fazer uma lista com centenas de singles lançados este ano. Mas isso exigiria outro projeto, outro tempo, outro espaço. Aqui, a intenção é outra: profundidade, não excesso.
Essa será a nossa forma de seguir em frente.
“Eu acredito profundamente na música independente brasileira hoje. Acho que muitos brasileiros ainda não têm noção da dimensão e da potência desse universo. Para mim, que vivo na Europa, isso é ainda mais evidente: não temos aqui a mesma quantidade de artistas independentes — nem, muitas vezes, a mesma força criativa. Por isso, para mim, sempre será essencial promover artistas novos, independentes, indie, aqueles que estão no fundo da cena. Não existe nada mais bonito do que descobrir artistas que, no underground, estão silenciosamente mudando a música.”
— Ivan, curador do Divergent Beats
O Divergent Beats existe para isso:
para escutar com atenção, para dar espaço ao que não é óbvio, para celebrar a arte que nasce fora dos holofotes.
Esses discos não definem 2025. Mas definem quem somos nós.

Ordem alfabetico:
Apeles – Cru
“Um sonho que nasce da voz, ganha forma nas letras e pulsa na guitarra.”
Atalhos – A Força das Coisas
“Um indie doce, suave como vento e bom como abraço.”
Bacara – Bichos e Insetos
“Um álbum forte, com os pés no chão e a alma suja de verdade.”
Bella e o Olmo da Bruxa – Afeto e Outros Esportes de Contato
“Músicas tácteis, passionais, atravessadas por uma violência cósmica.”
Bike – Noise Meditations
“Uma viagem meditativa que desprende o corpo e ancora a alma na música.”
Calvin Voichicoski, Pelocurto – Bodoque
“Um indie nostálgico, com os pés nos anos 90 e o coração no agora.”
Choraz – Lua
“Uma viagem noturna onde as emoções do mundo romântico despertam.”
Delusis – Imerso
“O corpo vibrando entre palavras e um som forte, intenso.”
Desastros – Desastros
“Uma viagem mística: a alma livre, sem amarras.”
Guitarricadelafuente – Spanish Leather
“Uma travessia sensual entre corpos atentos, amores vivos e presença.”
Guioak – Sinestesia primária
“Uma música doce de forma terrível, com guitarra e voz intensas.”
Gustavo Barrinovo – Êxtase
“Uma obra-prima mental e musical que conduz à êxtase.”
Harmada – Os Fugitivos
“Uma fuga letal e mental, onde a voz e a música se entrelaçam intensamente.”
Juia – Dos Trabalhos
“Um álbum irreverente, onde a verdade e a paixão se encontram intensamente.”
Lento, Distante – Tecendo Ficções
“Um crescendo de emoções, com vozes e instrumentos que explodem juntos.”
Lieko – Tanto Quanto
“Um rock forte, onde cada nota é pensamento e cada acorde é paixão.”
Ludom – Ludom
“Um empoderamento feminino, com os pés no chão e a voz na verdade.”
Marvim – Contramaré
“Um mergulho no oceano do coração, restaurado e sereno.”
Memórias de Ontem – Translúcido
“Uma energia musical que explode e sacode cada fibra do corpo.”
Pai Guga – O Túmulo do Mergulhardor
“Uma travessia entre vulnerabilidade e a força intensa de viver.”
Pedro Bienemann – Ondas de Choque e Calor
“Um choque musical entre o sentir, o viver e o amar.”
Royel Otis – Hickey
“Um indie nostálgico e continental, com espírito jovem, que faz reviver memórias.”
Sen Senra – PO2054AZ (Vol.III)
“Uma travessia galega entre memórias antigas e o agora.”
Sonial – Calunga Grande
“Um misticismo que une a terra, o fundo do mar e a plenitude da vida vivida.”
Terno Rei – Nenhuma Estrela
“Nossa imersão na música indie brasileira, repleta de surpresa e intensidade.”
Tiaslovro – Portos do Reino
“A intensidade de uma voz densa, repleta de amor, que nos leva numa viagem pelo tempo dos sentimentos.”
Véspera – Nada Será Como Era Antes
“Uma viagem musical entre presença viva, força arrebatadora, som e loucura.”
Walfredo em Buca da Simbiose: Mágico Imagético Circular
“Um álbum fenomenal, uma verdadeira terapia para a alma.”
Zahara – Lento Ternura
“Um caos musical que mistura amor, violência cósmica e empoderamento feminino.”
Zé Ibarra – AFIM
“Aquela brasilidade sensual, tecida com corpos, som e música.”
No fim, é isso que fica.
A música que nos atravessa não pede permissão, não precisa de ranking, não quer vencer nada. Ela só quer existir — e, ao existir, nos transforma.
Esses álbuns e EPs não são um ponto de chegada.
São um mapa emocional de tudo aquilo que nos construiu até aqui como Divergent Beats.
A playlist que deixamos abaixo é um convite:
escute sem pressa, sem expectativas, sem algoritmos.
Talvez você não se reconheça em tudo.
Mas talvez uma dessas músicas reconheça você.



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