Existe algo muito especial acontecendo na cena musical brasileira quando artistas deixam de caber em uma única definição. Aure é exatamente esse tipo de artista. Cantor, performer, multiartista, corpo em movimento e voz em expansão — tudo ao mesmo tempo.
Baseado em São Paulo, Aure faz parte de uma geração que não separa música de performance, som de imagem, arte de vida. Sua trajetória passa pelas artes visuais, pelo teatro, pela educação, pela moda e pela comunidade ballroom, e tudo isso transborda diretamente para sua música. Nada é acessório. Tudo é linguagem.
Quando descobrimos Aure com “Zona Abissal”, em 2024, foi amor imediato. A música já era hipnótica, mas o videoclipe — gravado no Ceará — elevava tudo a outro plano. Corpo, água, desejo, movimento. Era impossível ficar parado. Ali ficou claro: Aure não faz apenas canções, ele cria universos sensoriais.
Agora, com o lançamento de “Fogo”, esse universo se expande ainda mais.
“Fogo” é daquelas músicas que funcionam em qualquer estação do ano. Não importa se é verão, inverno ou madrugada chuvosa — você escuta e o corpo responde. Há algo de profundamente tropical ali, mas também algo ritualístico, sensual e magnético. Uma música que não pede permissão: ela acontece.
Produzida por Master Pe, “Fogo” mistura camadas vocais etéreas com referências eruditas, percussões brasileiras, instrumentos árabes, sintetizadores e uma atmosfera quase psicodélica. O resultado é uma faixa quente, pulsante e livre, que conversa tanto com a nova MPB quanto com o pop experimental e a música eletrônica.
Liricamente, “Fogo” fala de encantamento, alteridade e encontros que não precisam de contrato, promessa ou controle. É sobre presença radical. Sobre estar ali, inteiro, no agora. Desejo como energia viva, não como posse.
E talvez seja isso que mais nos encanta em Aure: ele entende o corpo como território político, poético e espiritual. Sua música não quer caber em fórmulas. Ela quer atravessar.
No Divergent Beats, a gente acredita muito nesse tipo de artista — aquele que cria com coragem, que mistura linguagens, que dança entre mundos sem pedir autorização. Aure é um deles. E “Fogo” é mais uma prova de que ele está construindo algo forte, necessário e absolutamente vibrante.
Fique de olho. Ou melhor: fique em movimento.
Ivan Jude Gorini

Aure sets the present on fire with “Fogo”: Experimental pop, new MPB and radical presence
There’s something truly exciting happening in Brazilian music right now — especially when artists refuse to fit into a single definition. Aure is exactly that kind of artist. Singer, performer, multi-artist, moving body and expanding voice — all at once.
Based in São Paulo, Aure belongs to a generation that doesn’t separate music from performance, sound from image, art from life. With a background rooted in visual arts, theatre, education, fashion and the ballroom community, everything he touches becomes language. Nothing feels secondary. Everything matters.
When we first discovered Aure through “Zona Abissal” in 2024, it was instant love. The track was already hypnotic, but the music video — filmed in Ceará — took it somewhere else entirely. Body, water, desire, movement. You couldn’t stay still. It became clear right then: Aure doesn’t just release songs, he creates sensory worlds.
With the release of “Fogo”, that world grows even deeper.
“Fogo” is the kind of track that works in any season. Summer, winter, late-night rain — you press play and your body reacts. There’s something undeniably tropical about it, but also ritualistic, sensual and magnetic. It doesn’t ask for permission. It simply happens.
Produced by Master Pe, “Fogo” blends ethereal vocal layers with classical references, Brazilian percussion, Arabic instruments and synthesisers, all wrapped in a slightly psychedelic atmosphere. The result is a warm, pulsating and free track that lives somewhere between experimental pop, new MPB and electronic music.
Lyrically, “Fogo” speaks about enchantment, otherness and encounters that don’t require contracts, promises or control. It’s about radical presence. About being fully there, in the now. Desire as living energy, not possession.
What truly captivates us about Aure is his understanding of the body as a political, poetic and spiritual territory. His music refuses formulas. It wants to cross boundaries.
At Divergent Beats, we deeply believe in artists like this — those who create with courage, blend languages and move between worlds without asking for permission. Aure is one of them. And “Fogo” is yet another sign that he’s building something powerful, necessary and absolutely vibrant.
Keep an eye on him. Or better yet: keep moving.



Leave a comment