Existem artistas que você descobre por acaso, e existem artistas que parecem te puxar pelo colarinho e dizer: “vem aqui, tem um universo inteiro pra você entrar.”
Jubba é exatamente isso.
Saído da cena lo-fi de SoundCloud, da geração que aprendeu a fazer música no quarto, no fone estourado, na experimentação pura, ele chega com uma estética que é o caos bonito: sujeira, psicodelia, rock torto, beats caseiros e uma vibe que só quem cresceu entre rap, rock setentista e internet entende.
“Caminhos Tortos”, o primeiro EP dele, não é só uma estreia — é tipo quando você abre uma janela e entra vento, poeira, luz e barulho tudo ao mesmo tempo.
É íntimo, é caseiro, é corajoso, é cru do jeito mais charmoso possível.
E claro: com toda a identidade visual do cleozinhu, que sempre entrega aquele underground paulista suado, fotogênico e perfeitinho no caos.
1. ode aos esquisitinhos
Abre o EP como quem liga uma luz neon num quarto bagunçado. Guitarras sujas, clipadas, acidentais (e perfeitas). É um hino pra todo mundo que escolheu viver sendo esquisito de propósito. A catarse final é tipo gritar dentro de um túnel psicodélico.
2. empregos reais
Batidas que parecem ter sido achadas num HD velho + vibes Panchiko + referências a Cosmo Pyke e Rex Orange County = um caos lo-fi super emocional. E ainda tem sample do Renato Russo. É sobre crescer, trabalhar, querer dar certo e meio que não saber como. Millennial/Gen Z struggle vibes.
3. flores no meu quarto (feat. Samyr)
Climão etéreo, hyperpop nebuloso, letra sufocada, poema lindo do Samyr. É música pra ouvir de madrugada olhando pro teto e protegendo seu próprio coração.
4. SENSÍVEL
A faixa mais torta, mais ousada, mais trip. Hip hop lo-fi psicodélico, sample de música do próprio Jubba, energia Frank Ocean versão caseira e poesia vulnerável. A gente arrepiou MESMO no final — e continua arrepiando sempre.
5. a sensação
Interlúdio lo-fi inspirado em Nujabes. É aquela pausa profunda antes de você tomar uma decisão importante. Tem sample do David Lynch porque é óbvio que teria.
6. eu não sei dizer adeus
Fechamento cru, desafinado (de propósito), emocional, visceral. Reverb maluco, delay psicótico, letra que dói mas cura. É tipo: “eu não sei dizer adeus, mas eu vou assim mesmo.”
O fim perfeito pra um EP que não tem medo de ser imperfeito.
Tentar descrever “Caminhos Tortos” em poucas palavras é impossível. É um EP magnífico — pela construção, pelas escolhas sonoras, pela coragem estética.
Nós, do Divergent Beats, ficamos tocados de verdade por esse trabalho. É aquele tipo de EP que cria nostalgia mas também presença; que cria passado, futuro e agora ao mesmo tempo. Um viagem sonora íntima, que transita entre ruído, psicodelia, poesia e sensibilidade. Tudo isso costurado com um rock vulnerável e um bedroom pop deliciosamente torto.
E existe uma faixa que nos atravessou completamente: “SENSÍVEL”. O final dessa música é simplesmente extraordinário — daqueles que dão um pequeno colapso positivo no peito.
É arte pura.
“Caminhos Tortos” é mais uma prova de que a nova geração brasileira em 2025 está entregando arte de verdade, feita com coragem, sensibilidade e identidade. É um EP para ouvir várias vezes, porque cada nova audição abre mais portas dentro do universo de Jubba.
Ivan Jude Gorini

JUBBA — THE NEW NAME IN BRAZIL’S BEAUTIFULLY CROOKED INDIE UNIVERSE
There are artists you find by chance, and there are artists who grab you by the collar and go: “come here, you need to see this whole universe.”
Jubba is absolutely that kind of artist.
Coming from the lo-fi SoundCloud generation — the kids who learned to make music in messy bedrooms, with blown-out headphones and pure experimentation — he arrives with a soundscape that is beautiful chaos: dirt, psychedelia, crooked rock, homemade beats, and the flavour of someone raised on rap, seventies rock and Brazilian music.
His first EP, “Caminhos Tortos”, doesn’t feel like a debut. It feels like opening a window and letting wind, dust, neon light and noise rush in at once.
It’s intimate, homemade, brave and charmingly raw.
And of course, all wrapped in the unmistakable visual identity of cleozinhu, the underground Paulista icon who turns chaos into aesthetic perfection.
1. ode aos esquisitinhos
A neon light turning on in a messy bedroom. Dirty, clipped guitars (accidentally perfect). A hymn for the deliberately weird. The ending is pure psychedelic catharsis.
2. empregos reais
Old hard-drive drums + Panchiko vibes + Cosmo Pyke/Rex Orange County influences.
With Renato Russo samples.
It’s about growing up, jobs, future, burnout, hopes and the Gen Z/Millennial crisis.
3. flores no meu quarto (feat. Samyr)
Ethereal hyperpop fog. Suffocated feelings. A stunning spoken poem. A 3am-heart-protection kind of track.
4. SENSÍVEL
The boldest, trippiest track. Lo-fi hip hop + dreamy psychedelia + a self-sample + Frank Ocean vibes.
The ending? Goosebumps. Every single time.
5. a sensação
A meditative Nujabes-inspired instrumental with a David Lynch sample.
A deep breath before an emotional storm.
6. eu não sei dizer adeus
Unstable, raw, imperfect — and powerful because of that.
This finale aches in the best way. A farewell that refuses to finish.
Trying to summarise “Caminhos Tortos” in a few words is impossible. It is a magnificent EP — because of its construction, sound choices and artistic courage.
At Divergent Beats, we were deeply moved by this project. It’s the kind of EP that feels nostalgic and present at the same time; past, future and now dissolving into one sonic journey. A private expedition, shifting through noise, psychedelia, poetry and vulnerability, layered with rock textures and deliciously crooked bedroom pop.
And there is one track that truly broke us open — in the best way: “SENSÍVEL”. The ending is extraordinary, a small emotional explosion that stays with you long after it fades.
“Caminhos Tortos” is another testament to the new Brazilian generation in 2025: artists creating truthful, brave, beautifully crafted art.
It’s an EP to revisit many times — each listen opens more doors inside Jubba’s universe.



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