Simona Zamboli é uma das vozes mais intensas e inventivas da cena eletrônica atual. Com álbuns como Ethernity (Mille Plateaux), Loisirs (Detroit Underground) e A Laugh Will Bury You, ela combina techno, glitch e experimentação com uma linguagem sonora visceral e profundamente autoral.

Nos últimos meses, o Divergent Beats teve o prazer de acompanhá-la no seu poderoso set no Monsterland Festival, no tendone da Jägermeister, e de colaborar na criação do videoclipe de “Pleasure” — um universo audiovisual inspirado na estética dos parques de diversões, entre luzes, energia e colisões.

Desde o primeiro momento, nos apaixonamos pela faixa e pela entrega absoluta de Simona à sua arte.

E agora, com grande alegria, apresentamos a entrevista com Simona Zamboli.

1. “Pleasure” nasceu dentro da Jägermeister Academy, uma experiência intensa e competitiva. O que esse faixa representa para você, e quanto influenciou sua forma de criar e performar música eletrônica hoje?

Simona: Pleasure é meio que a faixa-manifesto que surgiu depois de um longo período de auto-conflito e de questionamento sobre o meu projeto musical — tão amplo e eclético que, às vezes, me pareceu completamente para ser refeito do zero; especialmente nos últimos anos, em que decidi interagir mais com o meu país de origem, ou melhor, com a cidade onde vivo, Milão.
Depois de anos compondo com ritmos quebrados e tortuosos, muito apreciados por um público mais internacional — com o qual me relaciono desde o início — escolhi deslocar minha forma de expressão para métricas mais inteligíveis, privilegiando o tradicional quatro por quatro, mas tomando muito cuidado para man
ter minha assinatura sonora, de modo a abrir um diálogo maior com a pista de dança.
Essa chave me permitiu manter meu som sombrio e com um “modus operandi frígio”, tornando-o mais orientado ao dancefloor. Esse processo ainda está em curso e não exclui a ambivalência de sonoridades menos comerciais: o que eu desejo é alcançar mais pessoas permanecendo coerente com meu gosto pessoal.

2.O videoclipe de Pleasure nasceu da colaboração com a Divergent Beats. Como foi unir sua linguagem sonora a uma visão visual tão experimental e independente?

Simona: Foi tudo muito natural, especialmente porque o próprio som de Pleasure nasce de muita experimentação e independência de gêneros, ligando-se a uma estrutura apenas para, desta vez, experimentar a importância de seguir um percurso capaz de conectar-se a qualquer tipo de ouvinte.
Ivan, mente e corpo por trás da Divergent Beats, soube captar aspectos da minha artisticidade e da minha pessoa que eu tinha esquecido ou talvez nunca tivesse realmente percebido até então.

3.Você tocou recentemente no Monsterland Festival, na tenda da Jägermeister, por duas horas diante de um público incrível. O que ficou dessa performance — e como a energia da pista se transforma em algo artístico e pessoal?

Simona: : Foi o meu primeiro DJ set realmente longo para um público que precisava exatamente ouvir os discos que eu propunha, e foi lindo poder me conectar dessa forma com aquela pista. Até então eu estava acostumada aos live sets, tocando principalmente com sintetizadores, e nesse caso a fruição é totalmente diferente de um DJ set: primeiro porque, quando você toca ao vivo, o público geralmente sabe que está vindo para te ouvir e tem consciência do que esperar, um pouco como quando você vai ao show da sua banda preferida; e depois porque são duas performances totalmente distintas que colocam o artista diante de dois ofícios completamente diferentes.
Quando você faz um DJ set, especialmente se ainda não tem nome consolidado na cena, as pessoas se deixam levar pelo seu som mesmo sem te conhecerem, e é só quando você começa a mixar as primeiras faixas que se estabelece um pacto de confiança entre ouvinte e artista. Se isso acontece, você sente outra energia, mais leve, e é como se você também estivesse dançando no meio da multidão os seus discos preferidos, tendo o privilégio — ou o duro trabalho — de criar uma viagem coerente e envolvente.
Essa experiência deixou claro para mim que posso fazer coexistir serenamente essas duas dualidades da minha personalidade artística.

4.Em seu percurso você lançou álbuns com selos importantes e este ano colaborou com o produtor Mars89 e sua gravadora japonesa Nocturnal Technology. O que mais te fascina no encontro entre culturas sonoras diferentes, e como você sente que essas colaborações estão evoluindo seu som?

Simona: Mars89 me procurou depois de comprar o meu disco Ethernity (2021), e isso me mexeu muito, especialmente porque aconteceu quando eu estava no estúdio em 2024, experimentando, testando e fazendo basicamente ghost production sem lançar nova música com meu nome. Ele me propôs lançar um EP pela sua label, Nocturnal Technology, e como eu já tinha interesse no projeto musical dele, sugeri que lançássemos algo juntos, até porque eu tinha muito material, mas pouca energia para finalizar os produtos mais brutos que estavam guardados.
Essa colaboração, em particular, chega num momento importante do meu percurso artístico, no qual estou permitindo a mim mesma não encapsular minha essência em um selo ou em um círculo de pessoas que fazem determinadas coisas ou eventos. Eu nunca poderia ficar ancorada em uma única realidade porque isso me parece cansativo e pouco progressivo. Dialogar com artistas que não conheço e que sentem afinidade com minha linguagem sonora não tem preço e é a parte mais evoluída do processo artístico.

5. Ser mulher na cena eletrônica — ainda hoje — pode significar ter que se afirmar com força dobrada. Quais desafios você enfrentou e como aprendeu a transformá-los em potência criativa?

Simona: Os desafios ainda existem, principalmente porque, como disse acima, escolhi ser livre, não ser impulsionada por nenhuma crew e nem me apoiar, no momento, como residente em espaços ou clubes que possam me oferecer um público mais fácil, talvez já formado por um processo identitário bem enraizado.
Eu escolho o caminho mais complexo porque prefiro estudar e ter uma leitura pessoal das situações para depois dominá-las e torná-las completamente minhas; não suporto atuar numa zona de conforto que não fui eu quem construiu.
Isso, obviamente, gera uma série de complicações, que vão desde a gestão de relações e da confiança a ser estabelecida com os “profissionais do setor” até a decodificação do tipo de público com o qual se está interagindo. Nada é óbvio, nada pode ser tratado com desatenção.

6.Sua música tem uma alma muito física, mas também introspectiva, quase ritual. Quando você compõe ou toca, pensa mais no corpo ou na mente? O que quem ouve Pleasure deve sentir para entender quem é Simona Zamboli?

Simona: O detalhe está na escolha dos sons e em como os misturo entre si; esse é um aspecto tanto físico quanto mental, mas pessoalmente, quando componho minhas faixas, sou emocionalmente mental.

7.A Divergent Beats tem uma comunidade muito ativa no Brasil, onde a techno e a eletrônica experimental estão crescendo rapidamente. O que você diria ao público brasileiro que está descobrindo sua música pela primeira vez?

Eu adoraria tocar no Brasil, antes de tudo para respirar as vibes do lugar e depois para me inspirar com os DJs locais. Três anos atrás toquei no México, por exemplo, e lá percebi o quanto a música — mas a arte em geral — é tão diferente na forma como é concebida em relação à Europa, especialmente à Itália.
Entrava em lojas de discos para apresentar meu vinil e os lojistas, grandes apaixonados por música, compravam ou queriam saber mais. É um mundo muito mais acolhedor para quem faz arte e quer viver dela.
Além disso, acredito que há mais espaço e abertura mental para sons mais refinados e contaminados por culturas diferentes; ter um público tão aberto é sempre uma grande riqueza para quem se expõe artisticamente.

Ivan Jude Gorini



Inside “Pleasure”: The Sonic Power of Simona Zamboli

Simona Zamboli stands out as one of the most bold and inventive voices in today’s electronic scene. With albums such as Ethernity (Mille Plateaux), Loisirs (Detroit Underground) and A Laugh Will Bury You, she blends techno, glitch and experimentation into a raw, deeply personal sonic identity.

In recent months, Divergent Beats had the pleasure of joining her for her powerful set at the Monsterland Festival, under the Jägermeister tent, and collaborating on the creation of the “Pleasure” music video — an audiovisual world inspired by funfair energy, lights, movement and impact.

From the very first moment, we fell in love with the track and with the passion Simona pours into her craft.

And now, with great excitement, we present our interview with Simona Zamboli.

1.“Pleasure” was born within the Jägermeister Academy, an intense and competitive experience. What does this track represent for you, and how has it influenced the way you create and perform electronic music today?

Simona: Pleasure is somewhat of a manifesto track that emerged after a long period of inner conflict and questioning of my musical project — so broad and eclectic that at times it felt like it needed to be rebuilt from scratch; especially in recent years, when I decided to interact more with my home country, or rather, the city I live in, Milan.
After years of composing broken, twisted rhythms appreciated mostly by an international audience — the one I’ve been in contact with since the beginning — I chose to shift my expressive form toward more intelligible metrics, favoring the classic four-on-the-floor while being very careful to keep my signature sound, thus establishing a more open dialogue with the dancefloor.
This approach allowed me to maintain my dark, “Phrygian-mode-driven” sound while making it more dancefloor-oriented. This process is still ongoing and does not exclude the ambivalence of less commercial sonorities: what I want is to reach more people while remaining coherent with my personal taste.

2.The Pleasure music video was created through a collaboration with Divergent Beats. What was it like merging your sonic language with such an experimental and independent visual vision?

Simona: It all happened very naturally, especially because the sound of Pleasure itself comes from heavy experimentation and independence from genres and structures — structures it follows this time only to explore the importance of creating a path that can connect with any type of listener.
Ivan, the mind and body of Divergent Beats, was able to grasp aspects of my artistry and my personality that I had forgotten — or perhaps never truly noticed until now.

3.You recently played at the Monsterland Festival, in the Jägermeister tent, for two hours in front of an incredible audience. What stayed with you from that performance — and how does dancefloor energy transform into something artistic and personal?

Simona: It was my first truly long DJ set for an audience that needed exactly the records I was playing, and it was wonderful to connect with the dancefloor that way. Until then, I was used to live sets, playing mainly with synthesizers, and in that case the experience is totally different from a DJ set: first because when you play live, people usually know they’re coming to hear you and know what to expect — like going to your favorite band’s concert — and second because they are two completely different types of performance that require entirely different crafts.
When you do a DJ set, especially if you’re not yet a known name, people let themselves be carried by your sound even if they don’t know you, and only when you begin mixing the first tracks does a pact of trust form between listener and performer. If that happens, you’re filled with a new energy — lighter — and it feels as if you’re dancing among the crowd to your favorite records while having the privilege, or the difficult task, of creating a journey that is coherent and captivating.
This experience made it clear to me that I can peacefully allow these two sides of my artistic personality to coexist.

4.Throughout your career you’ve released albums with important labels, and this year you collaborated with producer Mars89 and his Japanese label Nocturnal Technology. What fascinates you most about the encounter between different sonic cultures, and how do you feel these collaborations are evolving your sound?Simona: Mars89 contacted me after buying my record Ethernity (2021), and that really moved me — especially because it happened while I was in the studio in 2024, experimenting, testing, and basically doing ghost production without releasing new music under my own name. He proposed releasing an EP on his label, Nocturnal Technology, and since I was already interested in his project, I suggested that we release something together, also because I had a lot of material but little energy to refine the rough ideas I had saved.
This collaboration, in particular, comes at an important moment in my artistic journey, in which I’m allowing myself not to encapsulate my essence within a single label or circle of people who do specific things or events. I could never be anchored to just one reality — I find it tiring and not progressive.
Dialogue with artists I don’t know, who feel a connection with my sonic language, is priceless and represents the most evolved part of the artistic process.


5. Being a woman in the electronic music scene — still today — can mean having to prove yourself with double the strength. What challenges have you faced and how have you learned to turn them into creative power?

Simona: The challenges are still there, especially because, as I mentioned above, I chose to be free — not pushed by any crew and not relying, for now, on being a resident in venues or clubs that could offer me an easier audience, one already shaped by an established identity process.
I choose the more complex path because I prefer to study and have my own reading of situations, so I can dominate them and make them entirely mine; I can’t stand operating in a comfort zone I didn’t create myself.
This obviously generates complications ranging from managing relationships and building trust with “industry professionals” to decoding the type of audience you’re interacting with. Nothing is ever obvious, nothing should be approached with inattention.

6.Your music has a very physical soul, but also an introspective, almost ritualistic one. When you compose or perform, do you think more about the body or the mind? What should listeners feel when they hear Pleasure to truly understand who Simona Zamboli is?

Simona: The detail lies in the choice of sounds and how I blend them together; that is both a physical and mental aspect, but personally, when I compose my tracks, I am emotionally mental.

7.Divergent Beats has a very active community in Brazil, where techno and experimental electronic music are growing rapidly. What would you say to the Brazilian audience discovering your music for the first time?

Simona: I would love to play in Brazil — first to breathe in the local vibes and then to draw inspiration from local DJs. Three years ago I played in Mexico, for example, and there I realized how music — and art in general — is perceived so differently compared to Europe, especially Italy.
I would walk into record stores to present my vinyl and the owners — passionate music lovers — would buy it or want to know more. It’s a world much more appreciative for those who make art and want to live from it.
Moreover, I believe there is more space and open-mindedness toward refined sounds contaminated by different cultures, and having such an open audience is always a great richness for anyone who exposes themselves artistically.



Pleasure”: Il Potere Sonoro di Simona Zamboli

Simona Zamboli è una delle voci più audaci e inventive della scena elettronica contemporanea. Con album come Ethernity (Mille Plateaux), Loisirs (Detroit Underground) e A Laugh Will Bury You, unisce techno, glitch e sperimentazione in un linguaggio sonoro crudo, personale e profondamente riconoscibile.

Negli ultimi mesi, Divergent Beats ha avuto il piacere di accompagnarla nel suo potente set al Monsterland Festival, nel tendone della Jägermeister, e di collaborare con lei alla creazione del videoclip di “Pleasure” — un universo audiovisivo ispirato all’energia dei parchi divertimento, tra luci, movimento e collisioni.

Dal primo ascolto ci siamo innamorati della traccia e della passione totale che Simona mette nella sua arte.

Ed ora, con grande entusiasmo, vi presentiamo l’intervista con Simona Zamboli.

1. “Pleasure” nasce all’interno della Jägermeister Academy, un’esperienza intensa e competitiva. Cosa rappresenta per te questo brano, e quanto ha influenzato il tuo modo di creare e performare musica elettronica oggi?

Simona: Pleasure è un po‘ la traccia-manifesto che esce fuori dopo un lungo periodo di auto-conflitto e di messa in discussione del mio progetto musicale, cosí ampio e eclettico che talvolta mi é sembrato del tutto da rifare da capo; specie negli ultimi anni in cui ho deciso di interagire di più con il mio Paese natío, o meglio, la cittá in cui vivo, Milano.

Dopo anni di composizione a ritmiche spezzate e storte ben apprezzate da un pubblico più internazionale – che e quello con cui mi sono interfacciata sin dall’inizio – , ho scelto di spostare la mia forma espressiva attraverso metriche più intellegibili, prediligendo il consueto quattro quarti, ma facendo ben attenzione a mantenere la mia sound signature, cosí da instaurare un dialogo più aperto col dancefloor. Questa chiave mi ha permesso di mantenere il mio suono oscuro e dal “modus operandi frigio” rendendolo dancefloor oriented. Questo processo è tutt’ora in corso e non esclude l’ambivalenza di sonoritá meno commerciali:quello che desidero è arrivare ai più rimanendo coerente col mio gusto personale.

2. Il videoclip di Pleasure è nato dalla collaborazione con Divergent Beats. Come è stato unire il tuo linguaggio sonoro con una visione visiva così sperimentale e indipendente?

Simona: É stato tutto molto naturale, specie perché il sound stesso di Pleasure proviene da tanta sperimentazione e indipendenza da generi e da una struttura a cui si lega ,questa volta, soltanto per sperimentare a sua volta l’importanza di seguire un percorso che possa connettersi con ogni tipologia di ascoltatore. Ivan, mente e corpo di Divergent Beats, ha saputo cogliere aspetti della mia artisticità e della mia persona che avevo dimenticato o, forse, nemmeno mai notato particolarmente prima d`ora.

3. Hai recentemente suonato al Monsterland Festival, nel tendone Jägermeister, per due ore davanti a un pubblico incredibile. Cosa ti è rimasto dentro di quella performance — e come si trasforma l’energia del dancefloor in qualcosa di artistico e personale?

Simona: È stato il primo vero dj set lungo per un pubblico che aveva esattamente bisogno di ascoltare i dischi che proponevo ed è stato bello potersi connettere così con quel dancefloor. Prima d`allora ero abituata ai live set, suonando principalmente con i sintetizzatori, e in questo caso la fruizione è totalmente differente dal DJ set: in primis perchè quando suoni live, la gente spesso sa che viene ad ascoltare te ed è cosciente di cosa aspettarsi, un po` come quando vai ad ascoltare il concerto della tua band preferita, poi perché si tratta di due performance totalmente differenti che pongono l`artista dinanzi a due mestieri completamente differenti. Quando fai dj set,specie se non hai ancora un nome nel panorama, le persone si lasciano trasportare dal tuo sound anche se non ti conoscono ed è soltanto quando inizi a mixare le prime tracce che si instaura un patto di fiducia tra ascoltatore e fruitore.Se questo accade, ti senti addosso un`altra energia,direi più spensierata, ed è come se stessi ballando anche tu tra la folla i tuoi dischi preferiti avendo il privilegio o il duro compito di dover creare un viaggio che sia coerente e accattivante.Questa esperienza mi ha reso evidente che posso far coesistere serenamente queste due dualità della mia personalità artistica.

 4. Nel tuo percorso hai pubblicato album con etichette importanti e quest’anno hai collaborato con il produttore Mars89 e la sua casa discografica giapponese Nocturnal Technoloagy Nocturnal . Cosa ti affascina di più nell’incontro tra culture sonore diverse, e come senti che queste collaborazioni stiano evolvendo il tuo suono?

Simona: Mars89 mi ha contattato dopo aver acquistato il mio disco Ethernity (2021) e questo mi ha smosso, specie perché è accaduto quando ero in studio nel 2024, a sperimentare, a provare e a fare sostanzialmente ghost production senza far uscire nuova musica sotto il mio nome. Mi aveva proposto di far uscire un ep sulla sua label Nocturnal Technology e, siccome mi sono interessata al suo progetto musicale, gli ho proposto di far uscire qualcosa assieme, anche perché avevo tanto materiale ma poche energie per raffinare i prodotti grezzi che avevo in backup.

Questa collaborazione ,in particolare, arriva in un momento importante del mio percorso artistico, in cui sto permettendo a me stessa di non incapsulare la mia essenza in un’etichetta o in un recinto di persone che fanno determinate cose o eventi,non potrei mai essere ancorata a una sola realtà perché lo trovo stancante e poco progressivo, dialogare con artisti che non conosco e che mostrano feeling col mio linguaggio sonoro non ha prezzo ed e la parte più evoluta del processo artistico.

5. Essere una donna nella scena elettronica — ancora oggi — può significare doversi affermare con una forza doppia. Quali sfide hai affrontato e come hai imparato a trasformarle in potenza creativa?

Simona: Le sfide ci sono tuttora, soprattutto perché come sostenevo sopra, ho scelto di essere libera e di non essere né spinta da una crew né di appoggiarmi al momento come residente a spazi o club che possano darmi un pubblico più facile e, magari, già piazzato da un processo identitario già ben radicato. Io scelgo il percorso più complesso perché preferisco studiare e avere una lettura mia personale delle situazioni per poi dominarle e renderle totalmente mie, non sopporto agire in una comfort zone che non ho creato io stessa. Questo ovviamente genera una serie di complicazioni che vanno dalla gestione delle relazioni e della fiducia da instaurare con gli “addetti ai lavori” fino alla decifrazione del tipo di pubblico con cui si sta interagendo. Nulla è mai scontato, nulla deve essere disattenzione.

6. La tua musica ha un’anima molto fisica, ma anche introspettiva, quasi rituale. Quando componi o suoni, pensi più al corpo o alla mente? Cosa deve “sentire” chi ascolta Pleasure per capire davvero chi è Simona Zamboli? 

Simona: Il dettaglio sta nella scelta dei suoni e di come li mixo tra loro, questo è un aspetto tanto fisico quanto mentale, ma io personalmente quando compongo le mie tracce sono emotivamente mentale.

7. Divergent Beats ha una community molto viva in Brasile, dove la techno e l’elettronica sperimentale stanno crescendo rapidamente. Cosa diresti al pubblico brasiliano che sta scoprendo la tua musica per la prima volta? 

Simona: Mi piacerebbe molto suonare in Brasile, innanzitutto per respirare le vibes del posto e poi per avere grandi ispirazioni dai dj locali. Tre anni fa suonai in Messico, ad esempio, e lì mi resi conto di quanto la musica, ma l’arte in generale, sia così diversa rispetto al modo di concepirle in Europa, specie in Italia. Entravo nei negozi di dischi per proporre il mio vinile e i negozianti, grandi appassionati di musica, acquistavano o volevano saperne di piu. Un mondo più facilmente apprezzabile per chi fa arte e vuole viverci facendola.Inoltre,credo ci sia più spazio e apertura mentale verso sound più ricercati e contaminati da culture differenti e avere un pubblico così aperto è sempre una gran ricchezza per chi si espone artisticamente.

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