Há músicas que a gente ouve — e há músicas que atravessam a pele, ficando presas na alma. mulato, nome artístico de Matheus Antonio, chega com Criatura para provar que arte boa nasce do instinto, do inconsciente e das entranhas de quem sente o mundo com intensidade. O novo EP é um mergulho visceral na identidade, na memória e no caos transformado em beleza.
Gravado entre julho e outubro de 2024, Criatura é um trabalho inteiramente autoral — composto, produzido e interpretado por mulato — que traduz o som da sobrevivência. É um disco que respira São Paulo, mas também carrega o cheiro da infância, da natureza e daquilo que é mais bruto e humano.
Mais do que um retorno às origens, é uma expansão: um artista que entende que mudar de pele é a única forma de continuar vivo.
Entre o rock alternativo, o soul setentista, o jazz, a bossa nova e aquela melancolia indie dos anos 90, mulato costura referências como quem cria um mosaico de sons e memórias. Cada faixa é um universo, uma pintura sonora que muda de cor conforme o ouvido se acostuma — e o resultado é profundamente emocional e tecnicamente refinado.
Logo na abertura, “Bizarro!!!” joga o ouvinte no coração do caos urbano paulistano — com o som do metrô, guitarras densas e uma energia quase cinematográfica.
“Tatuagem de Cobra” muda completamente o tom, trazendo confissão e renascimento, com versos intensos e um solo de guitarra catártico.

“Desenho Cego” mergulha no experimental, misturando guitarras distorcidas, acordes de bossa e jazz com um toque soul que arrepia.
“Azaleia” é aquele momento de suspensão no ar — curta, leve e cheia de silêncio.
E “Criatura”, a faixa-título, é o centro emocional e espiritual do projeto: seis minutos de catarse, renascimento e resistência.
“Punks” fecha o EP devolvendo o ouvinte ao caos do início — mas agora transformado, mais consciente, mais inteiro.
🎧 Nossa visão — Divergent Beats
Ouvir Criatura foi como abrir uma janela para dentro da cabeça e do coração de mulato.
É um trabalho profundamente visionário, construído com uma sensibilidade rara — você sente a pesquisa, a técnica e a entrega em cada detalhe, mas o que mais impressiona é o quanto existe dele em cada som, em cada verso, em cada pausa.
Esse EP é sobre humanidade, sobre resistir, sobre criar sentido dentro do caos.
Nós da Divergent Beats ficamos completamente fascinados — é um daqueles trabalhos que não só se escutam, mas se vivem.
Mulato criou um universo sonoro único, moderno e poético, e com Criatura, ele definitivamente marca seu lugar entre os artistas mais autênticos e emocionais da nova cena brasileira.
Um dos discos mais belos e vivos de 2025.
Ouça alto. Sinta tudo. Seja a Criatura.
Ivan Jude gorini
Mulato and the art of rebirth: “Criatura” turns chaos into beauty
Some albums are made to be heard — others are made to be felt.
mulato, the artistic identity of Matheus Antonio, returns with Criatura, a record that’s not just music but transformation. It’s the sound of the soul stretching, breaking, and finding new ways to exist. A deeply human project that turns chaos into meaning, memory into movement.
Written, produced, and recorded entirely by mulato between July and October 2024, Criatura is a raw and fearless statement of identity. It breathes São Paulo’s pulse, but also the nostalgia of childhood, the wildness of instinct, and the poetry of survival.
More than a return to roots, it’s an evolution — an artist growing through self-reinvention.
Merging alternative rock, 70s soul, jazz, bossa nova, and the late-90s indie melancholy that shaped a generation, mulato crafts a sound both nostalgic and futuristic. Each song is a chapter — distinct yet deeply connected by a thread of emotion and intention.
The opener, “Bizarro!!!”, throws you straight into the chaos of the city — layered, cinematic, alive.
“Tatuagem de Cobra” is introspective and poetic, with a confessional tone and a breathtaking guitar solo.
“Desenho Cego” experiments with distortion and groove, blending jazz, bossa and soul in a deeply existential reflection.
“Azaleia” gives us a moment to breathe — ethereal, minimal, and hauntingly sincere.
Then comes “Criatura”, the title track and emotional core of the project — six minutes of catharsis, trauma and rebirth.
Finally, “Punks” closes the journey, bringing the chaos full circle but with new awareness and power.
🎧 Our take — Divergent Beats
Listening to Criatura felt like stepping inside mulato’s mind — a world made of sound, memory and instinct.
It’s a visionary piece of work, crafted with incredible depth and care. You can feel the research, the experimentation, the emotional truth behind every note. But beyond that, there’s a raw intimacy — the sense that you’re hearing not just songs, but a person becoming.
This EP is about humanity, resilience, and creating beauty from the mess of being alive.
At Divergent Beats, we were completely taken by it — this is one of those rare projects that you don’t just listen to, you live.
A brave, poetic and powerful statement — one of the most beautiful and alive records of 2025.
Turn it up. Feel everything. Be the creature.




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