cena alternativa brasileira acaba de ganhar um nome que você precisa conhecer: Bacará. À frente do projeto está Patrick Hanser, músico e cineasta que já vinha flertando com a estética obscura e intensa em curtas e videoclipes como Cores e Mariposa. Com Bichos e Insetos, seu álbum de estreia, ele abre uma porta para um universo onde o grunge encontra a filosofia, onde guitarras carregadas de distorção dividem espaço com reflexões sobre quem somos como espécie.

O disco nasceu de uma obsessão de infância: Patrick passava horas observando insetos. Essa curiosidade virou metáfora poderosa para a condição humana. Os insetos, que vivem em coletividade e sobrevivem pelo instinto, parecem nos ensinar mais sobre nós mesmos do que gostaríamos de admitir. Em Bichos e Insetos, cada música é uma lupa que revela fragilidade, transformação e resistência.

E aqui está o ponto: nós, que crescemos com Alice in Chains, Nirvana e o grunge dos anos 90, encontramos nesse álbum um lugar de reconhecimento imediato. O peso das guitarras, o vocal que rasga o silêncio como se fosse também um grito nosso, e uma produção que escolhe não ser plastificada — demos reconstruídas no estúdio, mantendo a crueza viva. Não é nostalgia barata, é reinvenção.

O tracklist é uma viagem. Em Corpos, o impacto é físico; Palavrazinhas brinca com a linguagem e o afeto; Homem Tempo e Viramar abrem espaço para atmosferas densas; Novo Amigo é contraste entre doce e corrosivo; Morfeu e Memória mergulham em um transe existencial; Bicho Clean e Casa de Folhas fecham a espiral, mas é em Mariposa que tudo explode — metamorfose, queda, renascimento.

Escutar esse álbum numa noite de chuva é quase ritualístico. A guitarra parece conversar com a água que bate na janela; a voz carrega aquela força pesada que, em vez de te derrubar, te levanta. É o tipo de disco que você guarda sempre à mão, porque sabe que vai precisar dele em dias cinzentos.

Com Bichos e Insetos, o Bacará não só estreia, mas afirma: o grunge brasileiro existe, pulsa, e fala uma língua nova — a dos insetos que, no fundo, somos todos nós.

Ivan Jude Gorini


Bacará and the visceral force of Bichos e Insetos

The Brazilian alt scene just got a new name you can’t ignore: Bacará. At its core is Patrick Hanser, musician and filmmaker, who had already been crafting a dark, cinematic aesthetic in works like Cores and Mariposa. With Bichos e Insetos, his debut album, he opens a portal where grunge collides with philosophy, where distorted guitars meet raw meditations on what it means to be human.

The album grew out of a childhood obsession: Patrick spent hours observing insects. That fascination became a powerful metaphor for our condition as a species. Insects, living collectively and guided by instinct, seem to mirror us — and maybe even teach us truths we’re not ready to face. In Bichos e Insetos, each track works like a microscope slide, exposing fragility, transformation, survival.

And here’s the thing: for those of us who grew up with Alice in Chains, Nirvana, and the grunge of the ’90s, this album feels like home. The weight of the guitars, the vocals that rip through silence like our own unspoken scream, and a production style that refuses polish — GarageBand demos rebuilt in the studio, keeping every edge alive. It’s not cheap nostalgia, it’s reinvention.

The tracklist plays like a journey. Corpos lands with sheer physical impact; Palavrazinhas toys with language and affection; Homem Tempo and Viramar expand into dense atmospheres; Novo Amigo balances sweet vs. corrosive; Morfeu and Memória dive into trance-like introspection; Bicho Clean and Casa de Folhas close the spiral. But it’s Mariposa that explodes as the centerpiece — metamorphosis, downfall, rebirth.

Listening to this album on a rainy night feels ritualistic. The guitars resonate with raindrops against the window; the voice carries that heavy force that doesn’t crush you — it lifts you. This is the kind of record you keep within reach, because you know you’ll need it on gray days.

With Bichos e Insetos, Bacará doesn’t just debut — it declares: Brazilian grunge is alive, it breathes, and it speaks a new language. The language of insects, which, deep down, might just be the language of us all.

Junte-se ao Time

Ao navegar pelo complexo tecido da vida, as escolhas revelam caminhos extraordinários, exigindo criatividade, curiosidade e coragem para uma jornada verdadeiramente gratificante.

Join the Team

As we navigate the intricate fabric of life, choices reveal extraordinary paths, requiring creativity, curiosity, and courage for a truly fulfilling journey.

Leave a comment

Ver Mais