Poetico e sem medo de sentir

A gente escutou. A gente re escutou. E agora a gente não consegue mais sair desse lugar chamado Caminhos Selvagens.

Catto não lançou só um álbum — ela entregou um planeta emocional inteiro. Um lugar com cheiro de madrugada, com gosto de lágrimas quentes, com o som rasgado da alma em loop. Em 2025, o indie rock brasileiro acaba de ganhar seu capítulo mais sincero, mais profundo, mais cinematográfico — e mais nosso.

Sim: queer, neurodivergente, apaixonado, desequilibrado de propósito, lírico até o osso. Catto escreveu e viveu cada palavra. Cada canção parece ter sido retirada de um diário secreto enterrado entre os escombros da identidade e da coragem. E a gente está aqui, de joelhos na beira dessa estrada, ouvindo.

🩸 Poético e sem anestesia

Não tem uma faixa feia. Nenhuma. Nem mesmo aquela que você escuta distraídx vai embora sem deixar rastro. Catto escreve como quem precisa sobreviver escrevendo. E isso dá pra ouvir. A começar por Eu Não Aprendi a Perdoar, que abre o disco já avisando: você vai sofrer junto, vai lembrar de alguém, vai sentir sua própria fragilidade virando arte.

Mas é em Madrigal que a gente perdeu o ar. A melodia parece ter sido escrita com os dedos cravados no peito. É sensual, épica, espiritual. Tem cordas que cortam como navalha e uma entrega vocal que é quase como se Catto estivesse cantando dentro do seu quarto, só pra você. E você chora. Não porque está triste — mas porque finalmente se sente visto.

🌫️ Letras que cortam o silêncio

Em Solidão é Uma Festa, ela nos lembra que às vezes crescer dói mais do que ficar. Em Para Yuri Todos os Meus Beijos, tem Porto Alegre, tem um fim de amor, tem o início de uma outra pessoa. Em 1001 Noites Is Over, a sensação é de estar saindo de um quarto escuro e finalmente abrindo a janela — mas com maquiagem borrada e um cigarro aceso entre os dedos.

A lírica de Catto é ao mesmo tempo urbana e mitológica. Mistura o pós-festa com filosofia, o divino com a pele, o abandono com o desejo de continuar mesmo assim. É disco pra ouvir sozinhe, deitado no chão, enquanto se pergunta: “Como essa pessoa escreveu exatamente o que eu nunca soube dizer?”

🎧 Um grito elegante da geração que sente tudo

“Caminhos Selvagens” não é só um álbum. É um manifesto delicado — um chamado pra quem nunca se encaixou, pra quem precisou mudar de corpo, de nome, de casa e de língua pra conseguir respirar. Catto não está tentando agradar ninguém. Ela está sendo. E por isso nos toca tanto. Porque em tempos de estética pasteurizada, ela vem com dor real, com beleza cortante, com produção absurda e letras que não pedem desculpas por serem intensas.

Se fosse pra definir esse disco com uma palavra só, a gente escolheria: verdadeiro. Mas ainda assim seria pouco.

Ivan Jude Gorini – Divergent beats

English:

 CAminhos Selvagens is the indie rock album we’ve been waiting for — queer, poetic, and fearless

By Divergent Beats

We listened. We re-listened. And now we can’t leave this place called Caminhos Selvagens.

Catto didn’t just drop an album — she delivered an emotional planet. A place that smells like late-night streets, tastes like warm tears, and sounds like a raw soul on loop. In 2025, Brazilian indie rock just got its most sincere, most cinematic, most soul-shaking chapter — and the most us.

Yes: queer, neurodivergent, poetic, unfiltered. Catto writes and lives every word. Each track feels like it was ripped from a secret journal buried deep under layers of identity and survival. And here we are, kneeling on the edge of that road, listening.

🩸 Poetic and unapologetically vulnerable

There isn’t a single bad track. Not one. Even the ones you hear casually leave a mark. Catto writes like someone who survives by writing. And you can hear it. Starting with Eu Não Aprendi a Perdoar (I Never Learned to Forgive), the album opens with a warning: you will suffer, you’ll remember someone, you’ll feel your own fragility turn into art.

But it’s Madrigal that took our breath away. The melody sounds like it was written with fingers digging into the chest. It’s sensual, epic, spiritual. The strings cut deep, and Catto’s vocal feels like she’s singing in your bedroom — just for you. And you cry. Not because you’re sad, but because you finally feel seen.

🌫️ Lyrics that slice through silence

In Solidão é Uma Festa she reminds us that sometimes growing hurts more than staying. Para Yuri Todos os Meus Beijos (For Yuri, All My Kisses) gives us Porto Alegre, heartbreak, and the start of a new self. In 1001 Nights Is Over, it’s like walking out of a dark room and opening the window — with smeared makeup and a lit cigarette between your fingers.

Catto’s lyricism is both urban and mythic. She blends post-party melancholy with poetry, the divine with skin, abandonment with the will to stay alive anyway. This is the kind of album you play lying on the floor alone, whispering: “How did she write exactly what I never had the words for?”

🎧 A graceful scream from a generation that feels everything

Wild Paths isn’t just an album. It’s a gentle manifesto — a cry for those who’ve never fit in, who had to change names, bodies, languages just to breathe. Catto isn’t here to please. She’s here to be. And that’s what hits hardest. Because in a world of filtered aesthetics, she gives us raw pain, brutal beauty, lush production, and lyrics that refuse to apologize for being intense.

If we had to pick one word to define this album, it would be: truth. And even that doesn’t feel enough.

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